Nova York, 19 abr (EFE).- A Igreja Católica está estudando introduzir mudanças nas leis canônicas aplicadas aos sacerdotes que cometem abusos sexuais contra crianças, informa hoje a imprensa americana.

O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal William Levada, mencionou essa possibilidade de reforma do código canônico durante um almoço em Nova York com os editores da revista "Times", afirma o jornal "The New York Times".

A ferida aberta na sociedade americana e entre os católicos deste país devido aos vários casos que apareceram desde 2002 sobre os abusos sexuais contra crianças cometidos por sacerdotes ficou visível durante a visita do papa Bento XVI a Washington e Nova York, que começou em 15 de abril.

Nesta mesma semana, e em reunião fora da agenda oficial, o pontífice se reuniu em Washington com cinco homens e mulheres que durante sua infância foram vítimas de sacedortes pedófilos.

Pouco antes de chegar aos EUA, Bento XVI considerou a situação uma "grande vergonha", além de ter expressado sua dor e sofrimento por essas pessoas.

Segundo o jornal americano, Levada - que no Vaticano ocupa o cargo que Joseph Ratzinger teve antes de ser eleito sucessor de João Paulo II - não especificou que leis canônicas estariam sob reconsideração da Igreja Católica.

As palavras do cardeal, indica esse jornal, ocorreram de forma "espontânea" e em resposta às perguntas de alguns jornalistas que participaram do almoço.

Levada também falou que, de sua posição, viu que muitas vítimas não se sentem capazes de informar sobre o que aconteceu em sua infância até chegar à idade adulta.

O problema dos sacerdotes pedófilos, que custou à Igreja Católica americana mais de US$ 2 bilhões em indenizações às vítimas, "obscureceu a viagem", admitiu o presidente da Universidade de Fordham, o sacerdote Joseph McShane, que também participou do almoço, afirma o jornal.

As mudanças mencionadas pelo cardeal Levada, diz o jornal, afetariam o estatuto de limitações que no direito canônico é aplicado ao período depois do qual prescreve esse tipo de crime.

Bento XVI oficia hoje uma missa na catedral de Saint Patrick, com a presença de 3.000 sacerdotes, diáconos e religiosos, enquanto milhares de fiéis devem esperar do lado de fora que Bento XVI saia de papamóvel e os abençoe. EFE emm/an

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