Vaticano diz que enfrentar polêmica é crucial para Igreja

O Vaticano assegurou neste sábado que os ataques midiáticos pelos casos de padres pedófilos causaram indubitavelmente dano à Igreja e que o modo como se enfrentará isso é crucial para sua credibilidade moral. As afirmações são do porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, que destacou que a autoridade do papa e o compromisso da Santa Sé em lutar contra esses abusos saem fortalecidos.

iG São Paulo |

Lombardi disse que "não é uma surpresa" a atenção dada nos últimos dias pela imprensa internacional aos casos de padres pedófilos denunciados na Europa junto aos já conhecidos na América do Norte, após a publicação da carta do papa aos católicos da Irlanda, outro país onde houve centenas de abusos sexuais a menores.

O porta-voz do papa ressaltou que, embora esses casos tenham acontecido há décadas, "reconhecê-los e fazer reparação perante as vítimas é o preço para restabelecer a justiça e purificar a memória".

Segundo o porta-voz, as respostas que estão chegando das diferentes conferências episcopais, entre elas as dos Estados Unidos, sobre medidas para uma correta gestão e prevenção dos abusos, são uma "boa notícia".

Lombardi concluiu dizendo que a Igreja, nesta Semana Santa, pede a misericórdia e a graça de Deus.

Polêmica

A repercussão do escândalo segue em destaque nos jornais europeus. "Como padres (pedófilos) puderam continuar exercendo o sacerdócio e celebrando a comunhão?", questiona o jornal britânico Independent em sua edição deste sábado.

Na Espanha, um professor de teologia, citado pelo jornal El País, se surpreende com "a facilidade com que, em relação ao IVG, a hierarquia católica estabelece uma relação direta entre pecado e delito e sua dificuldade em fazer a mesma coisa em relação aos abusos sexuais cometidos por pessoas consagradas a Deus ".

"A Igreja de Roma está vivendo, talvez, o momento mais difícil do pontificado de Bento XVI", analisa o jornal Corriere della Sera.

"Mais a Igreja defende a transparência, mais as comportas se abrem e saem à luz casos enterrados nas catacumbas do esquecimento", escreveu o editor Pierluigi Battista no Corriere.

Segundo uma pesquisa divulgada pela revista alemã Stern, 17% dos alemães dizem confiar na Igreja católica (contra 29% no fim de janeiro) e 24% no Papa (contra 38%).

* Com informações da EFE e da AFP

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