Vaticano diz que documento da França cancela diferença de sexos

Cidade do Vaticano, 19 dez (EFE).- O Vaticano considera que o documento apresentado pela França à ONU para a descriminalização universal do homossexualismo vai além desse objetivo e que pretende cancelar a diferença entre sexos.

EFE |

Assim o afirma o jornal vespertino do Vaticano, "L'Osservatore Romano" em sua edição de hoje, comentando a proposta francesa e a posição expressa na assembléia pelo observador permanente da Santa Sé na ONU, o arcebispo Celestino Migliore, a favor de que sejam canceladas as penas criminais contra os homossexuais.

Migliore disse na sessão de ontem da ONU que a Santa Sé "aprecia" os esforços para "condenar qualquer forma de violência" contra os homossexuais e que "encoraja" os estados a tomar medidas a respeito, mas que o documento "vai além".

Segundo o vespertino da Santa Sé, "este documento, na realidade promove a ideologia da identidade de gênero e da orientação sexual, categoria que no direito internacional não encontra uma clara definição e tenta aplicá-la aos direitos humanos".

"Introduzindo-as, nega a determinação biológica da diferenciação sexual", afirma o jornal.

"Impulsiona assim", acrescenta, "o falso convencimento de que a identidade sexual é o produto de escolhas individuais, inquestionáveis e, sobretudo, meritórias, em quaisquer circunstâncias, de reconhecimento público".

Segundo o Vaticano, ele promove "uma idéia equivocada da paridade, que pretende definir homens e mulheres segundo uma idéia abstrata de indivíduo".

O Vaticano assegura que não se trata de idéias marginais e que o que se pretende é que a polaridade heterossexual "não seja um elemento fundamental da sociedade, mas algo que é preciso cancelar".

O texto publicado pelo diário acusa que a idéia da França é de equiparar as uniões do mesmo sexo ao casamento e de que os casais homossexuais "possam adotar ou 'procriar' crianças".

Em sua posição contra o documento francês, o Vaticano especifica que a introdução dessas categorias "põe em risco" o exercício de outros direitos humanos, como a liberdade de expressão, de pensamento, de consciência e de religião.

As religiões, segundo o Vaticano, podem ver limitados seus direitos de transmitir suas próprias doutrinas, por exemplo, "quando consideram que o livre comportamento homossexual dos fiéis não é penal, mas moralmente inaceitável". EFE jl/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG