Vaticano divulga guia para lidar com acusações de abuso sexual

O Vaticano publicou em seu site nesta segunda-feira um guia de normas a serem seguidas em casos de acusações de abuso sexual contra sacerdotes. Embora as regras não sejam novas, a divulgação do texto reflete a determinação da Igreja Católica Romana de rebater as críticas de que sua reação aos escândalos de abusos sexuais vem sendo burocrática, sigilosa e defensiva.

iG São Paulo |


O site oficial do Vaticano descreveu o texto como "guia introdutório que pode ser útil a leigos e não-canonistas (alusão a cânone, ou seja, as leis internas da igreja)" com relação às normas a serem seguidas pelas igrejas legais na resposta a alegações de abusos sexuais.

O guia deixa claro que os bispos devem denunciar crimes à polícia, dizendo que "as leis civis relativas à denúncia de crimes às autoridades apropriadas sempre devem ser obedecidas".

Os bispos devem investigar cada alegação, e qualquer acusação "que tenha um vestígio de verdade" deve ser encaminhada à Congregação para a Doutrina da Fé.

Esse órgão de aplicação das leis canônicas, no passado comandado pelo cardeal Joseph Ratzinger, o atual papa Bento 16, vem sendo alvo de críticas por ter reagido tarde demais ou com força insuficiente às acusações de abusi.

O breve guia também afirma que "em casos muito graves, nos quais um julgamento criminal civil considerou o clérigo culpado de abuso sexual", pode-se pedir que o próprio papa destitua o religioso em questão de suas funções.

Uma associação de vítimas com sede nos EUA, SNAP (Rede de Sobreviventes de Pessoas Abusadas por Padres), pediu "ações, não palavras" e disse que "as políticas da igreja, quer tenham sido postadas online ou não, são em grande medida irrelevantes", já que os bispos podem facilmente ignorá-las.

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