Por Philip Pullella POMPÉIA, Itália (Reuters) - O Vaticano defendeu no domingo a decisão do papa Bento 16 de evitar uma condenação direta ao crime organizado durante uma viagem ao sul da Itália, reduto da máfia Camorra, uma das mais cruéis do país.

O papa fez uma viagem de um dia à Pompéia para uma missa no santuário na moderna região da cidade, que foi soterrada pela erupção do Vesúvio no ano 79.

Em seu discurso, Bento XVI não usou as expressões crime organizado ou Camorra. Ele fez apenas uma referência ao dizer que a oração é "uma arma espiritual na luta contra o mal e toda a forma de violência."

Questionado por repórteres, o porta-voz do Vaticano disse que o papa evitou intencionalmente falar a palavra Camorra.

"A viagem tem uma dimensão estritamente espiritual e foi por respeito ao fato de que a maioria das pessoas da região são honestas e não membros do crime organizado", disse o porta-voz.

"O papa prefere sugerir a energia positiva por meio da qual a Camorra pode ser vencida", acrescentou.

A Pompéia moderna faz parte de um grupo de cidades no interior de Nápoles e à sombra do Vesúvio, onde o grupo criminoso tem uma forte presença.

A Camorra, que lucra com a extorsão, tráfico de drogas e contrabando, foi recentemente tema do filme "Gomorra", baseado no livro de Roberto Saviano.

Na semana passada, Saviano afirmou que iria deixar a Itália para tentar levar uma vida normal devido aos relatos de que o grupo iria matá-lo antes do Natal.

O autor de 29 anos, que trabalhou em empresas têxtil e de construção civil do grupo mafioso para reunir informações para o livro, vive escondido nos últimos dois anos devido às ameaças de morte.

O livro vendeu mais de um milhão de cópias na Itália e foi traduzido em 42 línguas. O filme tem sido apontado como candidato ao Oscar

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