Vaticano defende atuação do papa em casos de pedofilia nos EUA

O Vaticano saiu em defesa do papa Bento XVI, acusado nesta quinta-feira pelo New York Times de ter ignorado no passado os abusos de um padre americano pedófilo ao afirmar que ele não respondeu a duas cartas denunciando o caso enviadas pelo arcebispo Rembert Weakland, de Milwaukee, que investigou o assunto em 1996.

iG São Paulo |

Responsável por tratar questões disciplinares na Igreja por ser chefe da Congregação para Doutrina da Fé nos anos 90, o cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI, teria aberto mão de iniciar os trâmites contra um padre acusado de ter abusado de quase 200 crianças surdas em uma escola do Wisconsin (norte dos Estados Unidos) entre 1950 e 1972, sugere o jornal americano.

Em um comunicado escrito em resposta ao jornal, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, ressalta que se recorreu à Congregação pela primeira vez no fim dos anos 90, "quando já haviam transcorrido mais de duas décadas desde que os abusos foram denunciados aos dirigentes da diocese e da polícia".

Lombardi recordou que as autoridades civis americanas investigaram o padre Lawrence Murphy nos anos 70, após as acusações das vítimas, mas acabaram abandonando o processo.

"É importante ressaltar que o assunto canônico apresentado à Congregação não tinha relação alguma com qualquer procedimento civil ou penal contra o padre Murphy", destaca o texto.

O caso chegou ao Vaticano por uma violação do sacramento da penitência, já que alguns abusos foram cometidos no confessionário.

"Como o padre Murphy era velho, tinha saúde ruim, vivia recluso e não havia nenhuma informação sobre eventuais abusos durante os últimos 20 anos, a Congregação para a Doutrina da Fé sugeriu ao arcebispo de Milwaukee que restringisse as atividades religiosas do padre Murphy e pedisse ao religioso que aceitasse a plena responsabilidade pela gravidade de seus atos", completa a nota divulgada pelo Vaticano.

*Com informações da AFP

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