O Vaticano condenou firmemente nesta sexta-feira a venda da pílula abortiva RU486 na Itália, autorizada na quinta-feira pela Agência Italiana de Medicamentos (Aifa) apesar da forte pressão da Igreja.

"A Igreja não pode assistir de forma passiva ao que está acontecendo na sociedade", escreveu o monsenhor Rino Fisichella, presidente da Pontifícia Academia da Vida, em um artigo publicado na primeira página do jornal do Vaticano, o L'Osservatore Romano.

"Trata-se de uma verdadeira técnica abortiva", afirmou o prelado, porque elimina "uma vida humana plena, responsabilidade que ninguém pod se permitir assumir sem conhecer suas consequências".

A pílula RU486 - que não deve ser confundida com a "pílula do dia seguinte", vendida na Itália desde 2000 - permite que a mulher evite um aborto cirúrgico, interrompendo a gestação de até cinco semanas por via medicamentosa.

Aos católicos que recorrerem à pílula, o prelado italiano lembra que a Igreja os condena, por considerar este método "um aborto voluntário", o que implica "consequências canônicas", advertiu, sem especificar quais seriam estas consequências.

"O aborto em si é ruim porque suprime uma vida humana, uma vida que, embora seja visível apenas através de máquinas, tem a mesma dignidade de qualquer pessoa", escreveu Fisichella.

kv/ap

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