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Vaticano compara críticas à Igreja ao antissemitismo

Os ataques atuais à Igreja, abalada por escândalos de pedofilia, fazem lembrar os aspectos mais penosos do antissemitismo, afirmou, nesta sexta-feira, o padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, durante http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/04/02/bento+xvi+celebra+paixao+de+cristo+no+vaticano+9447074.htmlrito religioso celebrado na presença do papa Bento XVI, no Vaticano.

iG São Paulo |

"Com desgosto, acompanho o ataque violento e direcionado contra a Igreja e o papa", disse o religioso franciscano, ao mencionar trechos de uma carta de solidariedade enviada "por um amigo judeu" após a onda de acusações de que a Igreja e o papa acobertaram casos de abusos sexuais de menores cometidos por sacerdotes na Europa e nos EUA.

AFP
Papa Bento XVI durante cerimônia

Papa Bento XVI durante cerimônia

"O uso de estereótipos e a transferência de responsabilidades e culpas pessoais para coletivas me lembram os aspectos mais vergonhosos do antissemitismo", disse o religioso, cujo sermão foi dedicado à violência, em particular à dirigida contra a mulher e cometida no seio familiar.

O pregador do Papa, que tem a função de escrever o sermão durante o rito dedicado à "Paixão do Senhor" da Sexta-feira Santa, que se celebra poucas horas antes da Via Crúcis, havia advertido que não abordaria o tema dos abusos cometidos por padres contra menores "porque deles já se fala muito do lado de fora".

No entanto, ao citar a carta de solidariedade de seu amigo judeu e comparar os ataques contra a Igreja aos preconceitos e à hostilidade dirigida aos judeus como grupo generalizado, o padre Cantalamessa acabou reavivando o debate.

Denúncias contra o papa

Na semana passada, o jornal americano The New York Times publicou duas denúncias contra o papa Bento XVI. Na primeira delas, afirmou que o papa, quando era o cardeal Joseph Ratzinger, ignorou denúncias de pedofilia feitas em relação a um padre americano nos anos 90 . Segundo o jornal, o padre americano era suspeito de ter abusado sexualmente de 200 crianças surdas.

Na outra denúncia, o jornal disse que Ratzinger não fez nada para impedir que um padre acusado de pedofilia retomasse o sacerdócio em outra paróquia na Alemanha em 1980 .

Crítica à imprensa

O Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM) acusou nesta sexta-feira alguns meios de comunicação internacionais de divulgar "reconstruções falsas" e "caluniosas" sobre a atitude do papa Bento XVI frente aos casos de abusos sexuais, informou a entidade em um comunicado assinado pelo arcebispo brasileiro Raymundo Damasceno Assis.

O papa sempre mostrou grande coragem" para enfrentar esses problemas e uma "reconstrução falsa e caluniosa nos quer fazer crer que o atual papa escondeu em sua época os casos de abusos sexuais ou que estava em sintonia com os autores", sustentou a nota, publicada em italiano pelo jornal do Vaticano L'Osservatore Romano.

"Ao contrário do que alguns veículos de imprensa divulgaram, a atitude do então cardeal Joseph Ratzinger com relação ao caso de abusos sexuais sobre menores por parte de clero foi sempre muito severa, como testemunham as pessoas que trabalharam com ele", acrescentou o comunicado do CELAM.

Mea culpa

Nesta sexta-feira, os bispos alemães fizeram um "mea culpa" pelos casos de pedofilia em instituições católicas e pediram o endurecimento das leis contra esse delito. O presidente da conferência dos bispos alemães, Robert Zollitsch, admitiu que pouca ajuda foi dada às vítimas.

A Igreja Católica "reconheceu os erros do passado" e "promete no futuro concentrar-se mais na ajuda às vítimas em vez de preocupar-se tanto com sua reputação", afirma Zollitsch em comunicado divulgado por ocasião da Sexta-Feira Santa por sua arquidiocese, em Freiburg, no sul do país.

A reação do arcebispo segue a linha da maioria das dioceses alemãs, que rezarão nas cerimônias de hoje pelas vítimas dos abusos sexuais.

*Com informações da AFP, EFE e BBC

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