Vaticano comemora 5 anos da morte de João Paulo II

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 29 mar (EFE).- Bento XVI lembrou hoje a figura de João Paulo II na missa funeral do quinto aniversário da morte do papa Wojtyla.

EFE |

Embora João Paulo II tenha morrido no dia 2 de abril de 2005, Bento XVI realizou a missa funeral hoje na Basílica de São Pedro já que este ano a data da morte coincide com a Sexta-Feira Santa, único dia do ano em que não se reza missa.

Vários fiéis poloneses, sacerdotes, bispos e cardeais acompanharam a missa, entre eles o cardeal da Cracóvia, Stanislao Dziwiz, que foi secretário particular do papa Wojtyla durante 39 anos.

Os chefes dos dicastérios vaticanos e o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, também acompanharam a celebração.

Bento XVI, que foi um grande colaborador de João Paulo II durante 24 anos, disse que o Pontífice polonês teve uma "firmeza inquebrantável e grande energia".

"Durante seu longo Pontificado (quase 27 anos) ele proclamou o direito com firmeza, sem fraqueza ou hesitação, sobretudo quando tinha que enfrentar resistências, hostilidades e expulsões", disse Ratzinger.

O Bispo de Roma acrescentou que João Paulo II teve um papado muito fértil e que se entregou de maneira generosa, sem reservas, sem medidas, sem cálculos. O que o moveu - ressaltou Bento XVI - "foi seu amor a Cristo, ao que tinha consagrado sua vida, incondicionalmente".

Já o jornal vaticano "L'Osservatore Romano" escreveu que João Paulo II foi um papa "contracorrente, um personagem fora do comum, um homem excepcional".

O quinto aniversário do falecimento de Karol Wojtyla (1920-2005) é celebrado poucos meses depois de Bento XVI o proclamar "venerável". Em dezembro foi aprovado um decreto que reconhe as "virtudes heróicas" do antigo papa, primeiro passo rumo à santidade do Pontífice polonês.

Após essa passagem, ainda é necessário que seja provado um milagre por sua intercessão. O sacerdote polonês Slawomir Oder, que postulou a causa, escolheu entre mais de 250 casos a cura da freira francesa Marie Simon Pierre, que padecia de Parkinson, mesma doença que Wojtyla tinha.

Segundo o cardeal José Saraiva Martins, governador regional emérito da congregação para as Causa dos Santos, esse suposto milagre ainda não foi estudado pela comissão médica da Santa Sé.

Antes era preciso que o papa proclamasse Karol Wojtyla "venerável".

Recentemente o diário polonês "Rzeczpospolita" anunciou um atraso na beatificação, assegurando que a Comissão médica tinha rejeitado a cura milagrosa da freira francesa, já que um dos médicos tinha "dúvidas". Depois outros meios de comunicação afirmaram que a freira tinha tido uma recaída, o que foi desmentido.

Se no final o milagre for aprovado pela Congregação e ratificado por Bento XVI, só restará escolher a data da beatificação.

Alguns observadores indicam o domingo de 24 de outubro como possível data, coincidindo com o dia em Wojtyla inciciou seu Pontificado em 1978. Outros votam na primavera de 2011.

O processo que pode levar João Paulo II a beatificação foi aberto no dia 28 de junho de 2005 e começou em Roma, cidade em que o papa morreu e da qual foi bispo durante 26 anos e meio.

A causa de beatificação foi aberta por desejo de Bento XVI, sem esperar que transcorram os cinco anos de sua morte, como estabelece o Código de Direito Canônico.

O anúncio foi recebido com grande alegria no mundo católico, onde ainda segue vivo o grito "súbito santo" (santo já) que dezenas de milhares de pessoas cantaram no dia 7 de abril na praça de São Pedro do Vaticano durante os funerais de João Paulo "o Grande", como já é conhecido. EFE jl/pb

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