Vaticano avaliará com calma o estado de Lugo do ponto de vista canônico

Cidade do Vaticano, 21 abr (EFE).- O Vaticano avaliará e aprofundará com calma, do ponto de vista canônico, qual pode ser a melhor solução para definir o status na Igreja com relação ao bispo católico suspenso a divinis Fernando Lugo, vencedor das eleições presidenciais do Paraguai.

EFE |

Esta informação foi dada à Agência Efe pelo porta-voz do Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, que afirmou que, "em um clima tranqüilo e sereno e sem pressa, as autoridades competentes definirão melhor o status" de Lugo.

Lombardi evitou avaliar a vitória do ex-bispo nas eleições do último domingo, pois não corresponde a ele apresentar um julgamento de caráter político particular, "pois o povo escolhe livremente os governantes".

O porta-voz afirmou que Lugo já não exercia o Ministério episcopal há muito tempo por causa da suspensão "a divinis" e que o fato de ter vencido as eleições não representa que tenha que adotar de forma "urgente" novas medidas sobre seu status em relação à Igreja.

"Caso tenham que adotar novas medidas nesta nova etapa, as autoridades competentes - a Congregação para os Bispos - farão uma reflexão tranqüila, pois não há um problema de grande urgência. O fato de já não exercer o Ministério episcopal permite que agora com calma se avalie melhor o seu status", declarou Lombardi.

O jesuíta disse que "é necessário se aprofundar do ponto de vista canônico para ver qual pode ser a melhor solução".

Lombardi afirmou que o Vaticano não questiona sua escolha como eventual futuro presidente do Paraguai e muito menos que a Igreja vá fazer a ele uma "espécie de oposição particular".

"A questão é como definir corretamente seu status, pois era um bispo. É uma questão jurídica canônica sobre sua função, seu status na Igreja. Não é um problema de relações diplomáticas", declarou Lombardi.

Ao ser questionado se Lugo será reconduzido para o estado laico ou se receberá a dispensa papal, Lombardi afirmou que "é prematuro" falar destas possibilidades e disse que agora o papa, a Congregação para os Bispos e a Conferência Episcopal do Paraguai discutirão com calma e serenidade para buscar a melhor solução do ponto de vista canônico, "tudo isto sem dramas".

Sobre o fato de ser a primeira vez em que um bispo é eleito presidente da República, Lombardi disse que é um feito que "chama a atenção e uma situação inédita", embora o triunfo de Lugo não tenha lhe causado "uma grande surpresa".

Em janeiro do ano passado, o Vaticano suspendeu o bispo Fernando Lugo "a divinis", que significa, segundo o Código de Direito Canônico, que o "sacerdote continua obrigado aos deveres a ele inerentes, embora esteja suspenso do ministério sagrado".

Lugo pediu ao papa para retornar ao estado laico, mas o pontífice rejeitou a solicitação. EFE jl/fal

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