Vaticano anunciará regras mais severas contra a pedofilia

Na próxima semana, Igreja Católica deve anunciar medida que amplia o prazo para denúncia de abuso pelas vítimas

iG São Paulo |

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Papa Bento 16 saúda fiéis durante missa em Sulmona, na Itália (04/07/2010)
O Vaticano divulgará em poucos dias um documento que endurece as regras nos casos de abusos sexuais de menores cometidos por religiosos, anunciou a agência de informação i.media.

O Vaticano concluiu as novas regras para enfrentar com mais severidade e máxima transparência os casos de pedofilia cometidos por membros da Igreja Católica, segundo fontes do Vaticano e a revista católica americana "National Catholic Reporter", que indicaram que a divulgação das novas normas poderia acontecer na próxima semana.

Em várias ocasiões, o Papa pronunciou-se a favor de os culpados serem julgados pela Justiça ordinária e pediu perdão público às vítimas . De acordo com a notícia, o Papa "poderá promulgar em poucos dias", incluindo por meio de uma espécie de decreto, o "motu proprio", uma série "de regras mais duras" contra o fenômeno da pedofilia na Igreja.

Mais que uma nova proposta radical sobre como devem ser os procedimentos nos casos de abusos sexuais, as normas têm o objetivo de consolidar as práticas existentes, segundo as mesmas fontes.

A revisão das normas afetará somente o estado eclesiástico interno de um sacerdote acusado de abusos, não as relações com as autoridades civis, um âmbito já abordado nas disposições adotadas em abril. Nesse mês, o Vaticano divulgou pela primeira vez na internet um documento de medidas contra a pedofilia, nas quais figura a obrigação de denunciar na Justiça os religiosos que abusam de menores.

Entre as novidades das regras estão, entre outras, a ampliação da prescrição pela acusação de abusos, que passa de dez anos transcorridos a partir dos 18 anos da vítima a dez anos após seu 20º aniversário. Outra dessas medidas será a definição de posse de pornografia infantil como "grave ofensa".

Segundo fontes da imprensa italiana, a medida trata-se de uma "atualização" do "motu propio" de Juan Pablo II de 2001, intitulado "Delicta Graviora" (Crimes graves). Aparentemente, as novas regras foram elaboradas pelo cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e aprovadas pelo atual pontífice.

As novas normas chegam depois dos casos de abusos que envolveram a Igreja Católica em países como os EUA, Irlanda, Alemanha, Áustria, Holanda, Bélgica e Itália, que a colocaram em uma das piores crises de sua história recente.

*Com EFE e AFP

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