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Vaticano afirma que acusar papa de esconder fatos é falso e calunioso

Cidade do Vaticano, 13 mar (EFE).- O promotor de Justiça da Congregação da Santa Sé para a Doutrina da Fé, o maltês Charles Scicluna, afirmou que acusar o papa Bento XVI de esconder fatos sobre os casos de pedofilia na Igreja Católica é falso e calunioso.

EFE |

Em entrevista publicada hoje pelo jornal "Avvenire", da Conferência Episcopal Italiana (CEI), citado pelo Vaticano em comunicado de imprensa, Scicluna aborda o escândalo citado na edição de sexta do jornal alemão "Süddeutsche Zeitung".

"Só em 2001 o delito de pedofilia voltou a ser de nossa exclusiva competência. Desde então, o cardeal Ratzinger demonstrou sabedoria e firmeza na hora de tratar destes casos. Ele foi mais além, dando prova de grande valor e enfrentando algumas situações muito difíceis. Portanto, acusá-lo esconder fatos é falso e calunioso", disse.

O papa Bento XVI autorizou nos anos 80 um padre com antecedentes de pedofilia a realizar o trabalho pastoral na cidade alemã de Munique.

Na década em questão, Bento XVI foi arcebispo das cidades de Munique e Freising. O padre envolvido em casos de pedofilia já havia sido expulso do bispado de Essen (Alemanha) por causa disso.

O porta-voz do Arcebispado de Munique confirmou ontem, em declarações à edição digital do jornal "Süddeutsche Zeitung", que "graves erros" foram cometidos nos anos e que a mudança de cidade do padre pedófilo foi feita "com a autorização do então arcebispo" - no caso, o atual pontífice.

No mesmo dia, o Vaticano esclareceu que o papa Bento XVI não tem relação com o caso por meio de seu porta-voz, Federico Lombardi.

Lombardi ressaltou que a arquidiocese de Munique-Freising já "explicou" os fatos em comunicado divulgado hoje, no qual diz que o então vigário geral da diocese alemã, Gerhard Gruber, assumiu "a plena responsabilidade" pelo ocorrido.

"Evidentemente o vigário não seguiu as indicações do então arcebispo Joseph Ratzinger, que tinha definido que o sacerdote não desenvolveria atividade pastoral alguma", disse Lombardi.

"Após a promulgação do Código de Direito Canônico de 1983, houve um período de incerteza acerca do elenco dos 'delicta graviora' (delitos de gravidade) reservados à competência deste dicastério", afirmou Scicluna, em referência à Congregação para a Doutrina da Fé.

O maltês explica que, se um sacerdote é acusado, o bispo de sua diocese tem a obrigação de investigar e depois relatar à Congregação para a Doutrina da Fé, que recebeu diversos casos em 2003 e 2004.

"Muitos vinham dos Estados Unidos e faziam referência ao passado.

Nos últimos anos, graças a Deus, o fenômeno caiu muito", afirmou Scicluna. EFE.

mcs/dp

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