Escritor já concorreu à Presidência do país em 1990, quando foi derrotado por Fujimori

Lima - O escritor Mario Vargas Llosa, que chegou ao Peru após receber o prêmio Nobel de Literatura, disse que não tem intenção de retornar à política, mas que intervirá "por todos os meios legais possíveis" para evitar que Keiko Fujimori, filha do ex-líder Alberto Fujimori, chegue à Presidência.

Vargas Llosa deu uma entrevista coletiva, cercado por sua família e diante de vários jornalistas, logo após aterrissar no Peru procedente da Europa, após ter participado na semana passada das cerimônias de premiação em Estocolmo. O escritor descartou participar do primeiro turno das eleições presidenciais, em 10 de abril, mas o fará no segundo turno, previsto para dois meses depois, se Keiko Fujimori ainda estiver concorrendo.

"Se a filha do ditador que está condenado à prisão por ser criminoso e ladrão tiver a possibilidade de ser a presidente do Peru, vou tentar impedir isso por todos os meios legais possíveis. Acho que isso seria uma verdadeira catástrofe para o país", advertiu.

Varga Llosa, que foi candidato à Presidência em 1990, quando foi vencido exatamente por Alberto Fujimori - hoje condenado a 25 anos de prisão por desrespeitar os direitos humanos -, exaltou o fato de a maioria dos candidatos às eleições de abril não colocar em dúvida o sistema político democrático e a economia de mercado.

"O Peru está progredindo, isso se vê melhor de fora que de dentro. (O país) tem boa imagem e veio progredindo, não só pelo crescimento econômico, mas porque aparece como uma democracia que segue em direção à modernidade", assinalou. Vargas Llosa poupou até mesmo o candidato esquerdista Ollanta Humala, que no passado foi duramente desqualificado pelo escritor: "Entendo que moderou consideravelmente seu discurso, e tomara seja assim", disse.

O Nobel da Literatura elogiou também o presidente peruano, Alan García, questionado por ele no passado, sobretudo nos anos 80, em seu primeiro mandato. "Por sorte do Peru, o Alan García que chegou ao poder nesta segunda oportunidade é outra pessoa, continuou as políticas de mercado, de abertura e estímulo ao investimento e à empresa privada, o que está bastante próximo do que eu defendi como candidato", disse.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.