Bogotá, 24 mai (EFE).- O escritor peruano naturalizado espanhol Mario Vargas Llosa apostou na existência do livro para que este sobreviva à internet, em entrevista publicada neste domingo na imprensa colombiana.

"Eu acho que a grande ameaça são as máquinas, que podem acabar com o livro. Não sabemos o que vai acontecer com esse desafio para a literatura que é a tela", assinalou o autor de "Conversa na Catedral" e "A Festa do Bode", entre outros romances, ao jornal colombiano "El Tiempo".

Na mesma entrevista o escritor se pergunta se a internet vai aniquilar o livro ou se eles coexistirão, e responde que isso está por ser decidido, e muito em breve.

Em seguida, ressaltou que sua aposta é na sobrevivência do livro e explicou que não é que ele seja contra a internet, mas se a literatura for feita somente para as telas ela se empobrecerá, porque "a tela faz com que se perca profundidade e risco".

Para Vargas Llosa, a tecnologia imprime à literatura uma certa superficialidade, embora reconheça que a correspondência tinha quase acabado e agora com a internet ela ressuscitou, mas é uma caricatura da anterior, que era feita com grande cuidado.

"O papel infunde um respeito quase religioso ao escritor, na tela se escreve informalmente, não se infunde respeito, pois fica-se pasmado da indigência gramatical dos textos feitos para a internet", comentou o escritor.

"A tela incita à facilidade, à frivolidade e o rigor desaparece", enfatizou.

O autor especificou que pode "ser pessimista", mas antecipa que "pode ser que o livro, acabe sendo derrotado, fique na catacumba, com uma escritura cada vez mais rigorosa e talvez com menos cultuadores". EFE rrm/ma

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.