Valenzuela destaca pontos em comum entre Brasil e EUA na A.Latina

Brasília, 14 dez (EFE).- Brasil e Estados Unidos debateram hoje suas posições sobre Honduras e o resto da América Latina, nas quais, segundo o secretário de Estado adjunto dos EUA para a região, Arturo Valenzuela, há mais coincidências do que discórdias.

EFE |

Valenzuela se disse "muito impressionado" com as coincidências "em aspectos fundamentais das relações e dos pontos de vista similares em relação a diversos assuntos" da região.

O secretário iniciou hoje no Brasil sua primeira viagem à América Latina, que também inclui visitas a Argentina, Uruguai e Paraguai.

Valenzuela se reuniu nesta segunda-feira em Brasília com o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia; o vice-ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

A reunião com Garcia foi a mais intensa do ponto de vista político. Segundo o próprio assessor, em um ambiente "cordialíssimo", foram repassados todos os principais assuntos da América Latina, assim como outros relacionados ao Oriente Médio.

Garcia declarou que a situação em Honduras foi o tema que mais tempo ocupou na reunião e afirmou que, apesar das divergências quanto às eleições vencidas por Porfirio Lobo em 29 de novembro, que o Brasil não reconheceu, existem visões similares sobre a crise hondurenha.

Segundo o assessor, Brasil e EUA concordam que Manuel Zelaya continua sendo o presidente legítimo de Honduras; que o governante de fato, Roberto Micheletti, "deve partir", e que o pleito vencido por Lobo não basta para superar a crise.

Valenzuela reiterou em declarações à imprensa brasileira que, segundo a visão da Casa Branca, a solução depende de vários passos que começam com a formação de um Governo de "união nacional" presidido por Lobo a partir de 27 de janeiro, data de sua posse.

Outro passo seria a definição da situação de Zelaya. Assim como Garcia, Valenzuela considera que "é importante" que o presidente deposto obtenha um salvo-conduto para deixar a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está hospedado desde 21 de setembro.

Segundo o diplomata americano, também é necessário que, em todo esse processo, fique claro que "nada" justifica um golpe de Estado e que "não pode haver desculpas para a ruptura da ordem democrática".

Garcia explicou que "a preocupação" de EUA e Brasil "é a mesma", no sentido de que "o episódio hondurenho não pode ser um precedente que desestabilize a América Latina e, particularmente, a América Central", uma região na qual os "processos democráticos são mais recentes".

Outro assunto discutido por Valenzuela e Garcia foi a discórdia gerada na região pelo acordo que permite aos EUA a utilização de bases militares em solo colombiano para colaborar na luta contra a guerrilha e o narcotráfico.

Garcia reiterou a "impressão" do Brasil de que a presença de tropas estrangeiras na região "não é um fator positivo" e sugeriu que Washington elimine as "guerras de declarações" com alguns países, em aparente alusão à Venezuela, por meio um "diálogo direto".

Por sua vez, Valenzuela disse que garantiu às autoridades brasileiras, incluindo o ministro da Defesa, que o acordo pactuado com Bogotá se limita a operações em solo colombiano e não representa nenhum risco para outros países sul-americanos.

García e Valenzuela também discutiram a aproximação entre Brasil e Irã, que despertou polêmicas depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em novembro.

O assessor de Lula explicou que o Brasil só pretende contribuir na busca da paz no Oriente Médio e quer que o Irã "tenha um papel positivo" e "se submeta às normas internacionais com relação ao uso pacífico da energia atômica".

A explicação pareceu satisfazer Valenzuela, o qual disse que os EUA dão "as boas-vindas ao fato de que o Brasil faça o Irã entender que cumprir as determinações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é importante".

Sobre a aproximação inclusive comercial que o Governo Lula busca com o Irã, o americano apontou que "o Brasil tem direito a ter relações com quem quiser, pois é um país soberano". EFE ed/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG