Vala comum com 58 corpos é descoberta em Bangladesh

O Exército de Bangladesh informou nesta sexta-feira que foram encontrados em uma vala comum os corpos de 58 oficiais mortos durante a rebelião dos guardas de fronteira do país, que eclodiu dois dias antes. Os corpos foram encontrados no quartel-general da guarda de proteção de fronteiras de Bangladesh, no centro da capital, Daca. Outros 22 corpos foram encontrados antes, incluindo alguns que tinham sido retirados dos esgotos e poços.

BBC Brasil |

Nos dois dias de confrontos entre os guardas de fronteira e as forças de segurança do país, que teria começado devido à reivindicação por aumento de salários, vários militares desapareceram e se suspeita que eles estejam mortos.

Acredita-se que dentro do quartel da força de proteção de fronteiras cerca de 100 pessoas tenham morrido nos dois dias de motim.

As autoridades prenderam pelo menos 200 suspeitos de participarem dos confrontos enquanto tentavam escapar vestidos com roupas civis.

Depois de visitar o complexo onde fica o quartel-general nesta sexta-feira, um ministro do governo do país declarou que os responsáveis pelas mortes não iriam ter o benefício da anistia, oferecido anteriormente pela primeira-ministra Sheikh Hasina.

Segundo o correspondente da BBC em Daca Mark Dummett, existe a hipótese de que os oficiais desaparecidos tenham sido baleados por seus próprios homens e seus corpos tenham sido enterrados ou jogados nos grandes canos de esgoto que passam embaixo do quartel da guarda de fronteira de Bangladesh.

Os 58 corpos foram encontrados na vala comum que ficava perto do hospital dentro do complexo da guarda de fronteira. As famílias dos desaparecidos ainda esperam do lado de fora dos portões do quartel, de acordo com Dummett.

Outros sete soldados da cavalaria da guarda de fronteira foram mortos nos confrontos dos últimos dias, além de quatro civis, incluindo um menino.

AP
Homem chora próximo ao local onde os corpos foram resgatados

Homem chora próximo ao local onde os corpos foram resgatados

Além do quartel em Daca, a guarda de fronteiras de Bangladesh conta com cerca de 70 mil homens estacionados em 42 acampamentos em todo o país, incluindo 40 mil nas fronteiras.

A crise entre estes oficiais e o governo começou na manhã de quarta-feira, depois que comandantes da guarda teriam se recusado a analisar um melhor salário e condições de trabalho para os soldados.

Os integrantes da guarda de fronteira bengalesa estão insatisfeitos com o salário de US$ 70 (cerca de R$ 165) por mês, o equivalente ao salário de um secretário de baixo escalão do governo, enquanto os oficiais mais altos na hierarquia ganham relativamente mais.

O motim terminou na quinta-feira depois que tanques cercaram o quartel e a primeira-ministra Sheikh Hasina afirmou que analisaria as reclamações dos soldados.

O filho da primeira-ministra Sajeeb Wazed, disse à BBC que a forma como a premiê enfrentou a crise foi uma "vitória para a democracia" em Bangladesh.

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