Vacinas contra gripe podem estar preparadas em setembro, diz OMS

Virgínia Hebrero. Genebra, 6 ago (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera que as primeiras vacinas contra a gripe suína possam ser aprovadas pelos organismos reguladores em setembro, e considera que serão seguras, mas não se pode excluir certos efeitos colaterais em alguns casos.

EFE |

"Os primeiros testes clínicos começaram em julho, e acreditamos que já haverá resultados para a primeira metade de setembro", disse Marie-Paule Kieny, diretora para pesquisa de vacinas da OMS, em entrevista coletiva virtual.

Acrescentou que estes testes, que estão sendo realizados em cinco países - EUA, Austrália, Reino Unido, Alemanha e China - indicarão se serão necessárias uma ou duas doses para vacinar uma pessoa contra o vírus A (H1N1).

Marie-Paule esclareceu que já estão sendo realizados testes clínicos em cinco países - EUA, Reino Unido, China, Austrália e Alemanha - e que esperam que, em breve, outros o façam.

"Estamos no bom caminho para o desenvolvimento da vacina", afirmou.

A responsável disse que os processos de controle do desenvolvimento da vacina pandêmica permitem garantir a segurança desta, mas "nenhuma vacina tem efeitos colaterais zero".

Interrogada sobre quais podem ser estes efeitos, citou alguns "leves", como febre, dor, náuseas ou enjôos, mas disse que, em alguns casos, podem ocorrer outros mais raros e graves.

Neste sentido, a OMS divulgou hoje um documento sobre a segurança da vacina, no qual adverte aos países - muitos dos quais planejam vacinar maciçamente suas populações ou de grande parte delas - que realizem uma vigilância "intensa" sobre a segurança e eficácia depois da vacinação.

A OMS considera imprescindível esta vigilância posterior, porque várias áreas, entre elas Europa e EUA, planejam aprovar a vacina contra este novo vírus acelerando o processo, o que implica em suspender alguns testes clínicos.

"Alguns efeitos colaterais que aparecem raramente nos testes clínicos podem se tornar mais evidentes quando um grande número de pessoas receber uma vacina pandêmica", afirma a OMS, em sua recomendação.

Marie-Paule quis acalmar os temores surgidos em alguns meios de comunicação sobre os efeitos que a imunização contra o novo vírus pode ter em grupos vulneráveis, que provavelmente serão os primeiros a receber a vacina.

"Ao longo de décadas, foram administradas milhões e milhões de vacinas a crianças, mulheres grávidas e outros", ressaltou.

Alguns países, entre eles europeus, têm em mente vacinar toda a população contra o vírus A (H1N1), que foi descoberto em junho e se transformou em pandemia, após se estender rapidamente a 168 países.

De acordo com o mais recente balanço publicado esta semana pela OMS, já há mais de 162 mil infectados e, embora na grande maioria dos casos a doença tenha sintomas leves, causou a morte de 1,154 mil pessoas, na maior parte no continente americano.

Mas "estes números subestimam a realidade", segundo a própria organização, pois já não se pede aos países que informem sobre cada caso.

Marie-Paule afirmou hoje que as agências reguladoras de remédios terão um controle intenso sobre qualquer reação adversa nas pessoas vacinadas, especialmente nos grupos vulneráveis.

"A pressão do tempo significa que os dados clínicos no momento em que a vacina pandêmica for administrada serão inevitavelmente limitados. Por isso, serão necessários mais testes sobre a segurança e a eficácia, depois que se tiver começado a administração da vacina", afirma o documento da OMS.

Adverte também que "será vital a troca internacional dos dados de vigilância posteriores ao início das campanhas, para poder avaliar a relação risco-benefício e determinar se são necessárias mudanças na política de vacinação". EFE vh/an

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