Uma vacina experimental contra a malária conseguiu reduzir entre 53% e 65% as taxas de contágio e a doença em crianças em dois testes clínicos realizados na África, segundo estudos divulgados nesta segunda-feira.

Há mais de 70 anos, os cientistas tentam desenvolver uma vacina capaz de conter a doença mortífera que mata mais de um milhão de pessoas por ano e contagia outros 250 milhões.

"É a primeira candidata à vacina contra a malária que demonstra proteção significativa em laboratório e estudos clínicos de campo", escreveram William Collins e John Barnwell do Centers for Disease and Prevention, em editorial junto ao estudo publicado no New England Journal of Medicine.

A vacina foi inicialmente desenvolvida pela firma GlaxoSmithKline no final dos anos 1980 e testada em voluntários americanos. O laboratório se associou em 2001 ao grupo sem fins lucrativos PATH Malaria Vaccine Initiative para estudar sua aplicação em crianças africanas.

Malária ou paludismo é uma doença infecciosa aguda ou crônica causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles.

A malária é considerada a principal parasitose tropical e uma das mais freqüentes causas de morte em crianças nesses países. Segundo a OMS, a malária mata uma criança africana a cada 30 segundos, e muitas crianças que sobrevivem a casos severos sofrem danos cerebrais graves e têm dificuldades de aprendizagem.

Nos estudos publicados nesta segunda-feira, os investigadores estudaram em separado dois grupos de crianças no Quênia e na Tanzânia.

O primeiro estudo envolveu 340 bebês menores de 12 meses, na Tanzânia, para determinar se a RTS,S/AS02 interferiu com a resposta imunológica a um outro grupo de vacinas infantis comuns administradas aos oito, 12 e 16 meses de idade.

Os cientistas acharam mais seguro administrá-la junto com as demais administradas no programa de imunização da Organização Mundial de Saúde.

Na segunda prova, 894 crianças de 5 a 17 meses de idade foram submetidas a um teste de efetividade da vacina usando um adjutório diferente, destinado a incrementar a resposta imunológica.

Concluíram que esta variante da vacina reduz os episódios de malária clínica em 53% durante um período de oito meses em média.

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