Uso excessivo de computador faz jovens chineses recorrerem à acupuntura

Antonio Broto Pequim, 17 jun (EFE).- Os chineses mais jovens viam a acupuntura como uma tradição praticada apenas por seus antecessores, mas o auge da internet mudou esta visão, já que muitos têm buscado esta terapia para tratar de problemas decorrentes do uso contínuo de computadores.

EFE |

Até há pouco tempo, as consultas dos hospitais de medicina tradicional, como o do bairro de Chaoyang, estavam restritas às pessoas da terceira idade que procuravam tratar todo tipo de problema de saúde com as agulhas. No entanto, cada vez mais jovens tem procurado este tipo de tratamento.

"Chegam com dores de pescoço, de ombros, de cintura, de coluna...

Nestes casos, a acupuntura pode trazer resultados muito bons", explica à Agência Efe a doutora Chen, uma dos especialistas em medicina tradicional do hospital.

"Antes, somente os mais velhos usavam esta medicina chinesa, mas agora os jovens também, sobretudo, para tratar insônia ou instabilidade de humor", acrescentou a doutora.

Antes de tratar os pacientes, Chen faz um reconhecimento de cinco minutos, sem estetoscópios nem aparelho algum, usando um sistema com milhares de anos de história: pede ao doente que mostre a língua e toque o pulso nos dois braços, enquanto lhe pergunta o que tem acontecido.

Depois desta simples operação, já sabe quantas agulhas serão necessárias, e em que pontos estratégicos do corpo que, segundo Chen, foram descobertas ao longo da História e por acaso.

De acordo com o relato da doutora, o primeiro destes "pontos da acupuntura" foi encontrado há milhares de anos quando alguém recebeu um golpe em um desses lugares estratégicos comprovando, assombrado, que uma dor de cabeça ou de estômago desapareceu magicamente.

Por esses pontos flui a energia, o "qi" mencionado pelo budismo e pelo taoísmo chinês, um elemento que a ciência não demonstrou a existência, apesar dos chineses acreditarem firmemente.

Essa mesma fé é compartilhada, nos últimos anos, por milhares de jovens chineses cada vez mais apaixonados pelo computador e pela Internet (a China já possui a maior comunidade de internautas do mundo, com mais de 220 milhões de usuários da rede).

Já é comum ver jovens optando por este ou outros métodos mais tecnológicos, mas igualmente baseados na acupuntura tradicional, para tratar sua dependência a internet.

Não há este tratamento de choque no hospital de Chaoyang, mas sim em clínicas especiais de toda China, que através de impulsos elétricos dirigidos aos pontos estratégicos da acupuntura, afirmam que podem tratar essa dependência, que tem preocupado pais e professores chineses.

Os hospitais de Pequim, inclusive alguns de caráter militar, oferecem este serviço.

A acupuntura e outras práticas médicas tradicionais, como a moxibustão - na qual são aquecidos certos pontos no corpo do paciente-, não só atraíram jovens pacientes, mas também estudantes: a antiga arte parece ter assegurado seu futuro, apesar da medicina ocidental ganhar terreno.

No hospital, jovens aprendizes realizam suas práticas após cinco anos de estudo teórico nos principais centros de ensino do país. Os quatro melhores estão nas cidades de Pequim, Xangai, Nanquin e Wuhan.

Muitos dos pacientes buscam essas técnicas para curar pequenos males ou problemas crônicos, e com freqüência "passam" à medicina ocidental em caso de doenças mais graves: mas a doutora Chen assegura que a acupuntura e outras práticas não servem só para prevenir ou para aliviar.

Chen declara que em seu hospital são tratados alguns casos de paralisias e embora um tratamento assim seja longo -pode durar aproximadamente três anos- os resultados são muito positivos. EFE abc/bm/plc

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