(Informação embargada até 20h01 de Brasília) Londres, 12 mai (EFE).- A utilização de betabloqueadores após uma operação cirúrgica não cardíaca aumenta o risco de morte ou de sofrer uma apoplexia, embora diminua a probabilidade de sofrer um ataque cardíaco.

Segundo um estudo publicado hoje pela revista médica britânica "The Lancet", em 1% das operações não cardíacas ocorrem "graves complicações" associadas a uma maior concentração de catecolaminas (qualquer um dos hormônios derivados do catecol).

Essas substâncias aumentam o número de pulsações, da pressão sanguínea e dos ácidos graxos e, portanto, elevam a demanda de oxigênio do coração.

Os betabloqueadores reduzem os efeitos nocivos dos altos níveis de catecolaminas e são administrados no período de internação, que vai desde o momento em que o paciente entra no hospital até o momento da alta, para evitar as complicações cardiovasculares, como os ataques do coração.

No entanto, investigadores da universidade canadense McMaster evidenciaram que os efeitos deste tratamento são mais negativos que positivos, já que aumenta o risco de morte no pós-operatório.

Os cientistas estudaram caso a caso os mais de 8.000 pacientes com arterioesclerose, ou com risco de sofrê-la, que se submeteram a uma operação não cardíaca.

Deles, a metade recebeu um tratamento com o betabloqueador succinato de metoprolol a partir de duas horas antes da operação até 30 dias depois, enquanto para a outra metade foi administrado um placebo.

Embora dentre os pacientes que tomaram metoprolol, 27% tenham apresentando menor probabilidade de sofrer um infarto não mortal, o risco de morte foi superior em 33% e o de sofrer uma apoplexia, mais do que o dobro do grupo do placebo.

A equipe de pesquisa qualifica de "arriscado" o fato de se dar como certo que a administração de betabloqueadores possui apenas benefícios e não apresenta perigos.

Os cientistas acrescentam que é "pouco provável que os pacientes aceitem os riscos derivados desse tratamento".

Por isso, os analistas recomendam a realização de novos estudos para determinar os riscos exatos da utilização de betabloqueadores após uma operação cirúrgica e assim melhorar os tratamentos. EFE vmg/fb

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