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Uruguai se prepara para segundo turno acirrado

A disputa pelo primeiro turno nas eleições presidenciais no Uruguai terminou na madrugada desta segunda-feira, com os dois principais candidatos se preparando para uma disputa acirrada no segundo turno. O candidato da oposição, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), do Partido Nacional (Blanco), criticou o adversário José Pepe Mujica, da coalizão governista Frente Ampla.

BBC Brasil |

Ambos disputarão o segundo turno das eleições, se forem confirmados os resultados de boca de urna na noite de domingo.

Naquele momento, a apuração dos dados oficiais parecia longe do resultado final. Com 21,98% das urnas apuradas, a Corte Eleitoral do Uruguai apontava 41,67% dos votos para Mujica e 33,61% para Lacalle.

"Mujica e seu vice, Danilo Astori, falaram em lutar pela vitória no segundo turno. Nós não falamos em lutas, nós entendemos que os eleitores vão escolher entre as melhores propostas para o país", disse Lacalle.

Segundo ele, os partidos Blanco e Colorado - que têm mais de 170 anos - são a opção "de paz para o Uruguai".

O ex-presidente recebeu apoio declarado do terceiro candidato nesta disputa, Pedro Bordabery, do Partido Colorado, que teria recebido cerca de 17% das intenções de votos, segundo os resultados de boca de urna, e acumulava 19,51% de acordo com os resultados oficiais iniciais.

Um resultado que superou as previsões das pesquisas de opinião, divulgadas na semana passada.

Bordaberry é filho de Juan Bordaberry, que governou parte do período ditatorial (1973-1985).

De acordo com os mesmos levantamentos de boca de urna, Mujica teria contado com cerca de 48% da votação e Lacalle, em torno dos 30%. Para vencer no primeiro turno, seriam necessários 50% mais um voto.

Quando perguntado se a soma de seus votos e os de Bordaberry resultaria na sua vitória, Lacalle respondeu: "É claro que este apoio de Bordaberry é fundamental. Mas as contas não são feitas assim. O eleitor é livre para votar em quem entender que é melhor e apresentar a proposta que mais lhe agrada".

'Modelo de país'
Os dados de boca de urna provocaram a comemoração de seguidores das três forças políticas - Frente Ampla, Blanco e Colorado, na orla de Montevidéu.

No entanto, assessores do candidato do governo disseram, antes da divulgação das pesquisas de boca de urna, que ainda tinham "esperanças" de uma vitória no primeiro turno.

Analistas entrevistados pelas emissoras de televisão local indicaram que o segundo turno promete ser uma disputa acirrada.

Lacalle disse que falou com Bordaberry por telefone, mas sinalizou que não pretendia conversar com Mujica. "Vamos nos ver no campo", disse, sugerindo falar das urnas. Mas ressalvou que se for eleitor "estenderá a mão" para os demais políticos.

Ex-guerrilheiro na ditadura (1973-1985) e ex-ministro da Agricultura do atual governo do presidente Tabaré Vázquez, Mujica disse, em seu discurso, que os uruguaios votarão, no segundo turno, por dois modelos de país.

"Mas nossa campanha não será mais só com as cores da bandeira da Frente Ampla. Agora, acima de tudo, está o destino do Uruguai", afirmou, coberto com uma bandeira nacional. Ele afirmou que o objetivo é "o país" e "não um partido ou força política".

"Essa não é uma luta de super heróis. É uma disputa eleitoral para o bem do país. Os próximos trinta dias devem ser de entrega, lutaremos e seguiremos lutando", discursou.

Mujica pediu aos seus seguidores, que lotaram as ruas, que "comecem a militar já" em busca dos votos que faltaram para a vitória no primeiro turno..

Em recente entrevista à BBC Brasil, o candidato da esquerda afirmou que jamais imaginou ser candidato à presidente e que se não fosse eleito desistiria da política eleitoral.

"Volto pra minha chácara, vou dirigir o meu trator e construir uma escola rural para crianças", disse. Naquela ocasião, poucos dias antes do pleito, ele destacou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é "o modelo" que pretende seguir, por ter decidido, em sua opinião, pelo caminho da "negociação" e da "conciliação".

Seu candidato a vice-presidente, o ex-ministro da Economia, Danilo Astori, disse que o segundo turno "será um plebiscito" entre duas formas de governar e propostas diferentes.

"Será um plebiscito entre a gestão dos partidos tradicionais e do governo da Frente Ampla, que distribuiu riqueza. E acho que só a esquerda, que é a Frente Ampla, tem um rumo claro para desenvolver o país e atender às políticas sociais", afirmou.

A Frente Ampla chegou à presidência, pela primeira vez, no dia primeiro de março de 2005, após a eleição de 2004.

Aquele pleito terminou com a alternância dos Partidos Blanco e Colorado no poder, após quase dois séculos.

Tabaré tinha apoiado a candidatura de Astori, que perdeu para Mujica na interna da coalizão governista.

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