Uruguai diz que Mercosul vive momento ruim em integração

Montevidéu, 23 abr (EFE).- O Governo uruguaio admite que o Mercosul vive um de seus piores momentos, mas aposta nesse organismo de integração regional diante da falta de alternativas, disse hoje o diretor de Assuntos Econômicos da Chancelaria, Walter Cancela.

EFE |

Em entrevista em Montevidéu, o representante uruguaio disse que o Mercosul "tem vários assuntos centrais pendentes" que são "críticos" e afetam "o coração do próprio esquema de integração".

Entre eles estão "a circulação de bens na região" e a solução das "assimetrias" entre os membros do bloco.

"Estamos em um dos piores momentos do processo de integração", ressaltou Cancela, que citou como exemplo o fato de a ponte que liga Argentina ao Uruguai continuar fechada pelos protestos contra a fábrica de celulose instalada neste último país, o que "impede a circulação de pessoas".

Além disso, "do ponto de vista de circulação de bens, estamos assistindo permanentemente a dificuldades para o comércio", disse o diretor uruguaio, que ressaltou que, além das retenções argentinas, "existem outras medidas, como licenças prévias de importação, que afetam a possibilidade de receita".

No entanto, apesar disso, o Uruguai não pensa "de nenhuma maneira" em sair do organismo, mas insiste "na necessidade de fortalecê-lo".

Ele destacou ainda que não acredita que nenhum dos demais países integrantes "esteja pensando que o Mercosul não faz sentido".

Cancela destacou que o bloco "historicamente careceu de lideranças", mas ressaltou que, nos últimos tempos, o Brasil tentou assumir esse papel.

"Um líder, além de ser generoso, às vezes tem que renunciar a pequenas possíveis vantagens frente à vantagem maior" de consolidar os interesses do conjunto, afirmou Cancela, ao considerar que o "Brasil vai em direção a essa posição".

Por outro lado, o especialista admitiu que as dificuldades que o Mercosul enfrenta no âmbito comercial fazem com que tenha adquirido uma dimensão "mais política" que econômica e que tenha registrado avanços em outros setores, como o social.

Cancela apostou na eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum e na aprovação de "um código alfandegário que defina as regras do jogo" para "avançar na solução das assimetrias" no Mercosul.

O economista falou ainda sobre a Rodada de Desenvolvimento de Doha, da Organização Mundial do Comércio, e destacou que o panorama é "pessimista", pois "não se veem perspectivas que haja avanços a curto prazo". EFE lh/db

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