Uruguai cauteloso em relação à proposta brasileira de Conselho de Defesa

A proposta do Conselho Sul-Americano de Defesa, apresentada nesta quinta-feira em Montevidéu pelo ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, foi recebida com cautela pelo governo e rejeitada pela oposição.

AFP |

Jobim se reuniu com seu colega uruguaio, José Bayardi, com o chanceler Gonzalo Fernández e, depois, com a Comissão de Assuntos Internacionais do Senado, para apresentar sua iniciativa, que definiu como uma "articulação" de mecanismos de "segurança", "confiança" e "transparência" entre os países da América do Sul, incluindo "a discussão de políticas de defesa".

O governo ainda não se pronunciou sobre a iniciativa, e fontes oficiais indicaram que o presidente Tabaré Vázquez irá informar o gabinete sobre sua posição no Conselho de Ministros da próxima segunda-feira.

O ministro brasileiro assinalou que Bayardi e Fernández disseram que vão "falar com o presidente Tabaré para tomar uma decisão a respeito".

Jobim disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentará, formalmente, a proposta do Conselho de Defesa na cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) que será realizada em Brasília na sexta-feira.

Vázquez não participará da Cúpula de Brasília, enviando em seu lugar o vice-presidente Rodolfo Nin Novoa, e o chanceler Gonzalo Fernández.

O Uruguai parte da premissa de que a Unasul "não serve, mas não faz mal" e que se "todos assinarem, nós não vamos ficar de fora", disse à AFP o líder do opositor Partido Independente, Pablo Mieres, citando o chanceler do país, que teria lhe dado essas informações na semana passada, pedindo ainda uma rodada de consultas com os dirigentes da oposição.

O ex-chanceler e senador do Partido Nacional (principal de oposição) Sergio Abreu disse a Jobim durante sua audiência na Comissão de Senado que a iniciativa pode ser perigosa para o Uruguai.

"Quando os países se equivocam, ficam com a crise existencial", enquanto que "quando os que se equivocam são os grandes, podem utilizar o não-cumprimento, ou a força", disse Abreu.

Mesmo assim, criticou Jobim pela ausência do Brasil no conflito entre Argentina e Uruguai pela instalação de uma fábrica de celulose sobre um rio na fronteira, que gerou um bloqueio ainda vigente.

"Fomos bloqueados pela Argentina" em um fato "quase bélico", enquanto o Brasil "olhou para o outro lado", afirmou Abreu.

O opositor, assim como o senador e ex-presidente Julio Sanguinetti, do Partido Colorado (também oposição), perguntaram a Jobim por que a aliança militar não incluía o México. O ministro respondeu que isso implicava envolver também Cuba, o que criaria problemas com os Estados Unidos.

Jobim afirmou ainda que as respostas "mais entusiasmadas" à proposta do Conselho de Defesa vieram dos presidentes do Chile, Michelle Bachelet, e Equador, Rafael Correa, enquanto a mais cautelosa foi do presidente colombiano Alvaro Uribe, aliado declarado dos americanos.

yow/fb/tt

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG