Uruguai ameaça deixar Unasul se Argentina indicar Néstor Kirchner

Montevidéu, 14 dez (EFE).- O Uruguai ameaçou se retirar da recém-criada União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se a Argentina insistir em apoiar a candidatura de seu ex-presidente Néstor Kirchner - cuja mulher, Cristina Fernandez de Kirchner, é atual ocupante do cargo - como secretário-geral na cúpula do Brasil, informa hoje a imprensa local citando fontes oficiais.

EFE |

O Governo uruguaio vetou em outubro a indicação de Kirchner, por entender que não reúne as condições necessárias para o cargo.

A presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, manteve um forte enfrentamento, o pior em décadas, com o Governo argentino comandado por Néstor Kirchner, devido à instalação no Uruguai da fábrica de celulose da finlandesa Botnia, que representou o maior investimento da história uruguaia, de US$ 1,8 bilhão.

O Governo argentino, atualmente com a ex-primeira dama Cristina Fernández de Kirchner, considerou "uma ofensa e um agravo para o povo argentino" o veto do Governo uruguaio.

O ministro uruguaio de Relações Exteriores, Gonzalo Fernández, informou no último Conselho de Ministros, realizado em 8 de dezembro, que o Uruguai sairá da Unasul se a Argentina insistir em indicar Kirchner a secretário-geral, informou o jornal "El Observador", citando fontes oficiais.

Atualmente os estatutos da Unasul determinam que o secretário-geral seja nomeado por unanimidade dos 12 países-membros, mas o Governo argentino deixou transparecer que na cúpula, que acontece terça-feira, em Salvador, proporá que se modifiquem as regras para que ela passe a ser por maioria.

O Uruguai defenderá que se cumpram "com todo rigor os estatutos e, caso contrário, sairá da Unasul", disse González aos ministros, segundo o jornal.

Aparentemente, outros países como Peru, Chile, Paraguai e, provavelmente, Brasil, também não estariam a favor da indicação de Kirchner, acrescentou "El Observador".

Grupos de moradores da província argentina de Entre Ríos, com o apoio de Néstor Kirchner, bloquearam os três pontes internacionais sobre o rio Uruguai como protesto contra a Botnia.

Além disso, no caso da ponte entre a cidade uruguaia de Fray Bentos e a argentina de Gualeguaychú o bloqueio se mantém após três anos, com forte prejuízo para o Uruguai em matéria de comércio e turismo.

O conflito chegou a um processo, iniciado pela Argentina que continua na Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia pela suposta violação do Uruguai de tratados bilaterais vigentes. EFE jf/jp

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