Uribe suspende operação militar e Sarkozy envia missão para negociar com as Farc

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, anunciou nesta terça-feira a suspensão das operações militares no sudeste da Colômbia e o envio de uma missão humanitária para tentar resgatar a refém Ingrid Betancourt.

Redação com agências internacionais |


Uribe destacou que esta missão "será acompanhada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)", como ficou combinado durante um telefonema que manteve com o presidente francês Nicolas Sarkozy.

Pouco antes, Sarkozy havia feito um apelo ao chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Manuel Marulanda, para que libertasse imediatamente Ingrid Betancourt que, segundo ele, "corre grave risco de vida".

Sarkozy decidiu enviar  uma missão humanitária de caráter imediato para resgatar Ingrid.

Estado de saúde grave

Segundo relatórios da inteligência militar, citados pela rádio colombiana "Caracol" na segunda-feira, a política se encontra gravemente doente, nega-se a consumir alimentos e medicamentos dados pelos guerrilheiros. Além disso, os rebeldes voltaram a ameaçar qualquer um que divulgue informações sobre a localização da refém.

Segundo o relatório, Ingrid Betancourt tem vômito e diarréia, e foi recentemente medicada com Atropina, medicamento para combater a insuficiência cardíaca.

Ainda segundo a "Caracol", a refém tem malária, leishmaniose e hepatite B, afirmou um correspondente em San José del Guaviare, capital do departamento de Guaviare, na selva, onde acredita-se que os rebeldes a estejam mantendo.

O correspondente afirmou que por causa da malária Betancourt "precisa de uma transfusão urgente de sangue, que não pôde ser realizada".

O correspondente também acrescentou que Betancourt recentemente tentou "escapar por um dos rios da região, o que dificultou o tratamento das três doenças".

O enviado especial da "Caracol" a Guaviare atribuiu a versão a "uma fonte de inteira credibilidade que teve contato direto com a guerrilha das Farc, justamente no local onde Ingrid Betancourt é mantida seqüestrada".

A ex-candidata à presidência colombiana "não foi levada a nenhum posto de saúde" da região, contra insistentes versões que dizem que ela foi internada em um centro médico no final de fevereiro, e se recusa a tomar medicamentos, acrescentou a fonte, que afirmou que os remédios de que necessita estão disponíveis em Guaviare.

As versões, ouvidas pela agência de notícias AFP por moradores de uma área de selva no sul da Colômbia, se resumem a dois episódios: em um, Ingrid foi tirada da floresta e levada a três postos de saúde em fevereiro devido a complicações causadas pela hepatite B e pela leishmaniose; no outro, um camponês falou com ela e a tocou na mão no dia 23 de fevereiro.

As duas informações foram confirmadas pelo padre Manuel Mancera, pároco de La Libertad, uma aldeia do município de El retorno (450 km a sudeste de Bogotá). Ele afirma que a franco-colombiana recebeu atendimento médico no povoado de El Capricho em uma noite entre os dias 15 e 20 de fevereiro.

Mancera disse ainda que os guerrilheiros chegaram bem perto da capital, San José, porque nos outros não havia remédios. "Iam vestidos como civis", contou, dizendo que a refém já não estaria em um acampamento, mas sim em uma fazenda daquela área.

Entenda o caso Betancourt

Ingrid Betancourt, 46 anos, é uma senadora franco-colombiana seqüestrada durante sua campanha à presidência da Colômbia. Ela está em poder das Farc desde 23 de fevereiro de 2002 e é uma das 40 reféns que a guerrilha pretende trocar por 500 insurgentes presos em uma negociação de um acordo humanitário com o governo colombiano.

Apesar de o estado de saúde de Betancourt ser preocupante desde outubro, quando foi divulgado um vídeo no qual ela aparece abatida e muito magra, o temor por sua vida aumentou desde fevereiro, com os testemunhos de ex-companheiros de cativeiro e versões de colonos que acreditam tê-la visto em aldeias de Guaviare.

(*Com informações das agências EFE e AFP)

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