Uribe reforça rejeição a presença estrangeira em acordo com Farc

Bogotá, 26 dez (EFE).- O Governo colombiano declarou hoje que não colocará em risco suas relações internacionais com uma eventual participação de delegados estrangeiros na próxima ação de libertação de seis reféns pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

EFE |

"O Governo não vai pôr em risco as relações internacionais. Não é necessária a participação de personalidades ou Governos nessa ação humanitária e nesse processo de libertação de seqüestrados", disse a jornalistas o secretário de Informação e Imprensa da Presidência da República colombiana, César Mauricio Velásquez.

O novo processo de libertação de seqüestrados foi anunciado pelas Farc em mensagem divulgada no último domingo pela internet.

O secretário confirmou, além disso, que "o Governo encarregou do tema político-humanitário o Alto Comissário para a Paz na Colômbia, Luis Carlos Restrepo, enquanto as garantias de entrega dos seqüestrados estão nas mãos do Ministério da Defesa Nacional".

Vozes de personalidades colombianas como o ex-presidente Ernesto Samper e a senadora Piedad Córdoba, designada pelas Farc para receber seis libertados, destacaram a necessidade de participação de delegados de Governos estrangeiros no processo de entrega.

O grupo rebelde anunciou a libertação dos últimos dois reféns políticos que possui, assim como de quatro integrantes da Polícia, cujos nomes não informou.

Os políticos que serão libertados são o ex-governador do departamento (estado) de Meta, Alan Jara, seqüestrado em 15 de julho de 2001, e o ex-deputado Sigifredo López, de Valle del Cauca, que está em poder da guerrilha desde 11 de abril de 2002.

As Farc declararam que os reféns serão entregues ao grupo Colombianos pela Paz, que reúne dezenas de intelectuais, políticos e ativistas, entre eles Piedad Córdoba.

A senadora anunciou esta semana que está sendo estudada a possibilidade de criação de um comitê para a facilitação da libertação dos seis reféns, e deixou entrever que países como Argentina, Equador e Venezuela poderiam enviar delegados.

Além disso, a senadora do Partido Liberal disse que pedirá ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, que reconsidere a presença de uma comissão internacional nesse processo.

Na última segunda-feira, Uribe advertiu que seu Governo não vai permitir um "espetáculo político", nem algo que venha a afetar as relações internacionais de seu país, ao envolver personalidades estrangeiras.

O porta-voz Velásquez afirmou hoje que a parlamentar "não solicitou reunião" nem com o presidente Uribe nem com outros funcionários do Governo para abordar o tema, contrariando o que ela tinha dito em inúmeras declarações à imprensa nesta semana.

As seis pessoas que serão libertadas de forma unilateral pelo principal grupo guerrilheiro colombiano pertencem a um grupo de 28 reféns que as Farc tentam intercambiar por 500 rebeldes presos.

O Governo colombiano também assinalou que as garantias para a operação estão sendo dadas por meio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Enquanto isso, um grupo de guerrilheiros das Farc que se encontra detido pediu nesta sexta-feira a agilização do processo de troca humanitária por seqüestrados da organização insurgente.

Os Presos Políticos e Prisioneiros de Guerra Farc-EP fizeram o pedido em carta dirigida à senadora Córdoba e que foi divulgada pela página eletrônica da Agência Bolivariana de Imprensa (ABP), que costuma divulgar comunicados e entrevistas da guerrilha.

Os insurgentes pedem a Hebe de Bonafini, presidente das Mães da Praça de Maio, da Argentina, e à comunidade internacional que exijam a troca de seqüestrados das Farc por guerrilheiros presos. EFE rrm/fr

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