Uribe recebe missão enviada por Sarkozy para atender reféns das Farc

(atualiza com conversa telefônica entre Sarkozy e Uribe) Bogotá, 1º abr (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, revelou hoje que seu Governo se comprometeu com o de seu colega francês, Nicolas Sarkozy, a viabilizar uma missão humanitária internacional que dará assistência médica aos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com fins de troca.

EFE |

"Sarkozy me contou que será criada uma missão humanitária para o atendimento médico dos reféns, começando pela doutora Ingrid Betancourt", disse Uribe, que se reuniu com o presidente francês em Paris no mês de janeiro.

O chefe de Estado colombiano acrescentou que Sarkozy também disse que esta operação "seria acompanhada pela Cruz Vermelha Internacional".

Previamente, Uribe admitiu hoje que seu Governo carece de informações confiáveis sobre o paradeiro e o estado de saúde da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, que está em poder das Farc desde 2002.

Ao fazer menção ao grande número de rumores da última semana sobre o paradeiro e a saúde da líder política, ele reconheceu que "o Governo não teve confirmação".

Além disso, o presidente colombiano afirmou que "tanto a Polícia Nacional como o Exército fizeram uma averiguação na região do departamento (estado) do Guaviare nos últimos dias e não foi obtida uma confirmação".

As declarações de Uribe em uma entrevista para a "Radio Santa Fe" coincidem com as do bispo da Diocese de San José del Guaviare, Guillermo Orozco.

O bispo Orozco disse hoje à Agência Efe que as informações de que a ex-candidata presidencial foi atendida em um hospital de sua jurisdição e que iniciou uma greve de fome "são apenas rumores".

"Tenho a mesma informação. Todos são puros rumores, nada concreto", declarou Orozco sobre a aparente presença de Betancourt em um posto de saúde de um povoado de Guaviare, para onde teria sido levada por guerrilheiros.

Esta série de rumores ressurgiu na semana passada quando o defensor público Volmar Perez afirmou que o estado de saúde da ex-candidata presidencial é "muito, muito delicado".

Justamente hoje, Nicolas Sarkozy exigiu a libertação imediata de Betancourt em mensagem televisionada dirigida ao chefe das Farc, Pedro Antonio Marín, conhecido como Manuel Marulanda, ou "Tirofijo", na qual responsabilizou a guerrilha pela possível morte da refém.

"Espero do senhor uma prova de humanidade sem a qual tudo se atolará de novo. Basta uma decisão de sua parte para salvar uma mulher da morte e manter a esperança de todos os que continuam detidos. Tome esta decisão: liberte Ingrid Betancourt", pediu o presidente francês.

Na semana passada, Pérez disse que seu escritório tinha conhecimento de que Betancourt havia sido "atendida em fevereiro em alguns postos de saúde" de Guaviare.

Porém, Orozco disse hoje à Efe: "Caso alguém analise a mentalidade de nosso povo, que é muito dado a rumores, e se levarmos em conta que, dos que foram libertados (quatro ex-congressistas em 27 de fevereiro), um deles (Luis Eladio Pérez) falou que a viu (Betancourt) três semanas antes, isto faz supor que está por aí".

O ex-senador, que foi refém das Farc por quase sete anos, declarou que viu Betancourt no dia 4 de fevereiro aparentemente em uma localidade de Guaviare por alguns minutos, e que o estado de saúde da ex-candidata presidencial seria muito grave.

"Isto foi suficiente para que as pessoas começassem a especular", afirmou o bispo.

Enviados de emissoras colombianas dizem que alguns camponeses do departamento disseram que viram Betancourt, que teria iniciado uma greve de fome e tentado se jogar em um rio.

Porém, é fato que a saúde de Betancourt requer de atenção, pois - segundo diferentes fontes - tem leishmaniose, hepatite B e malária.

Além de Betancourt, as Farc mantêm em seu poder dezenas de políticos, soldados e policiais entre seus mais de 750 reféns, segundo números governamentais, e que tentam trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos.

Na semana passada, após o aumento dos rumores sobre a gravidade do estado de saúde de Betancourt, Uribe autorizou a soltura de rebeldes em troca da libertação de seqüestrados. EFE rrm/bba/db

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