Uribe propõe repetir eleições e é criticado por opositores

Bogotá, 27 jun (EFE) - A decisão do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de convocar um referendo para repetir as eleições de 2006 gerou hoje fortes críticas de diversos setores e incerteza sobre os detalhes do projeto de lei que apresentará ao Congresso. O chefe de Estado anunciou à meia-noite de quinta-feira que pedirá ao Legislativo que tramite uma lei para convocar um referendo no qual se decida se serão repetidas as eleições de 2006, nas quais foi eleito para um segundo mandato de quatro anos. Uribe se pronunciou após os questionamentos da Corte Suprema de Justiça (CSJ) sobre a forma como foi aprovada no Congresso a reforma constitucional que possibilitou a reeleição para um só período. Além disso, a Corte condenou a 47 meses de prisão domiciliar a parlamentar Yidis Medina por ter recebido favorecimentos em troca do voto que salvou a emenda. Convocarei o Congresso para que tramite com a maior rapidez um projeto de lei de referendo, que convoque o povo a ordenar a imediata repetição das eleições presidenciais de 2006, disse o presidente após acusar a CSJ de aplicar justiça seletiva, em um aberto desafio ao judiciário. Uribe respondeu hoje, ao afirmar que o chefe paramilitar Salvatore Mancuso afirmou antes de ser extraditado aos Estados Unidos, em 13 de maio, que esses esquadrões estavam infiltrados na CSJ e advertiu a oposição de que não deve conduzir o tema da convocação a um referendo com sofismas de distração. Por que a sala penal da ...

EFE |

Já o senador do PDA Gustavo Petro, um dos maiores críticos de Uribe e responsável por revelar o escândalo da "parapolítica", que tem cerca de 60 congressistas, em sua maioria governistas, sob investigação por ligações com paramilitares, afirmou que o chefe de Estado colombiano está construindo uma tirania.

"Geralmente os tiranos buscam plebiscitos para tentar relegitimar seus atos, coisa que o presidente está tentando fazer com o referendo, mas isso não tampa, não esconde, o que já aconteceu, que foi que a reeleição se concretizou a partir de um crime", afirmou Petro.

Enquanto isso, o porta-voz do Partido Liberal, Héctor Elí Rojas, rejeitou a iniciativa de Uribe e acrescentou que a proposta leva a "uma ditadura" que a legenda não pode patrocinar "de nenhum ponto de vista".

"Aqui há uma grande confusão. Como vamos repetir eleições? Com os mesmos candidatos? Nas mesmas circunstâncias? Não, aqui o que há é uma ameaça do presidente de que se a decisão não for conforme seus interesses, ameaça-nos com o povo", afirmou.

O analista político Pedro Medellín afirmou que essa proposta é de uma gravidade institucional e jurídica sem precedentes na história da Colômbia e que está antecedida por um grave assinalamento de parcialidade e incapacidade do sistema judiciário por parte da principal autoridade do país.

"(Uribe) Faz um desafio eleitoral dizendo à Corte Suprema de Justiça: vou referendar meu mandato que vocês estão tentando questionar. E, nesse sentido, exagera, de fato é uma situação que se chama Presidência plebiscitária", considerou Medellín. EFE fer/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG