Uribe promete não extraditar rebeldes que ajudarem a libertar reféns das Farc

Bogotá, 12 jun (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, garantiu hoje que seu Governo não extraditará para os Estados Unidos os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que libertarem reféns.

EFE |

A declaração foi uma resposta a um rebelde da guerrilha que, por telefone, fez uma pergunta sobre essa possibilidade.

Em uma visita a Pereira, capital do departamento de Risaralda, no oeste do país, Uribe se comprometeu a não extraditar os insurgentes das Farc que ajudarem na libertação de seqüestrados.

O chefe de Governo colombiano explicou que rebeldes das Farc ligaram para o Departamento Administrativo de Segurança (DAS), organismo de inteligência, e para o escritório do alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, para saber se garantiriam que não haveria extradições para os EUA.

O líder disse que ordenou à diretora do DAS, María del Pilar Hurtado, que envie cartas aos solicitantes para garantir o compromisso.

A Colômbia extraditou há dois anos para os EUA dois importantes chefes das Farc, Ricardo Palmeira, conhecido como "Simón Trinidad", e Anayibe Rojas Valderrama, de apelido "Sonia", sob acusações de narcotráfico, os únicos previstos no convênio judicial bilateral para autorizar extradições de colombianos aos EUA.

"Eu assumo o compromisso. Diga-lhes que sim. Que nos comprometemos a não extraditar essa pessoa, mas que se faça a libertação dos seqüestrados", disse Uribe à diretora do DAS, de acordo com o próprio governante.

"Estamos fazendo todos os esforços, o que acontece é que estes bandidos, para enganar, não têm paz", ressaltou.

O presidente colombiano lembrou que seu Governo tem um fundo para pagar recompensas aos insurgentes das Farc que libertem os reféns e se entreguem. Além disso, oferece a eles "liberdade condicional e saída para um país como a França".

Uribe disse ainda que o alto comissário Restrepo também "recebeu chamadas da guerrilha há pouco".

Segundo o presidente colombiano, os rebeldes perguntaram se o Governo daria garantias de "que se (membros das Farc) libertassem os seqüestrados, não iriam para a prisão" e se, depois disso, poderiam ir para outro país como a França.

"A resposta nossa foi positiva: 'Libertem os seqüestrados e simultaneamente entrarão em um avião e irão para o estrangeiro", afirmou o presidente.

As Farc têm em seu poder 40 políticos, soldados e policiais, além de três americanos, que querem trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos através de um acordo humanitário.

Para aceitar tal acordo, o grupo insurgente exige desmilitarizar dois municípios do departamento de Valle del Cauca, no sudoeste do país, condição que o Governo não aceitou por razões de soberania e estratégia de segurança.

Uribe reiterou que as autoridades continuam buscando o "resgate humanitário" dos seqüestrados, apesar da oposição dos parentes, que temem um desfecho fatal, como ocorreu em várias ocasiões nos últimos três anos.

Contudo, o presidente colombiano afirmou que essas operações serão feitas com cuidado para evitar riscos aos reféns e que "o Governo vai continuar neste trabalho". EFE gta/rb/rr

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