Uribe: Paramilitares extraditados não cumpriram acordos de paz

Bogotá, 13 mai (EFE) - O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse que hoje que os 14 ex-chefes paramilitares que serão extraditados aos Estados Unidos não tinham cumprido os compromissos que assumiram no processo de paz.

EFE |

Alguns tinham reincidido em atividades criminosas, outros não cooperavam de forma devida com a justiça e todos descumpriam a reparação às vítimas, disse o chefe de Estado, ao explicar as razões que o levaram a esta extradição em massa.

Os ex-chefes paramilitares, liderados por Salvatore Mancuso, antigo comandante máximo das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), foram entregues no início da manhã de hoje a agentes americanos em uma base policial divisa ao aeroporto bogotano de Eldorado.

Com Mancuso foram extraditados Rodrigo Tovar Pupo, Diego Fernando Murillo, Ramiro Vanoy, Hernán Giraldo Serna, Francisco Javier Zuluaga e Guillermo Pérez Alzate.

O grupo é completado por Manuel Enrique Torregrosa, Diego Alberto Ruiz Arroyave, Juan Carlos Sierra, Martín Peñaranda, Edwin Mauricio Gómez Lara, Nondier Giraldo Giraldo e Eduardo Enrique Vengoechea.

Os 14 ex-comandantes das antigas AUC tiveram a extradição pedida por diversos tribunais dos Estados Unidos por acusações como narcotráfico, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

Apesar disso, o Governo do presidente Álvaro Uribe deixou em suspenso a entrega em virtude do processo de paz mantido por ele com as AUC, que em meados de 2006 se dissolveu após desarmar mais de 31 mil ultradireitistas.

"O Governo deve manter a faculdade de apreciar se uma pessoa beneficiária da suspensão de envio em extradição cumpriu ou descumpriu as condições exigidas", defendeu o chefe do Estado em discurso por rádio e televisão.

Uribe compareceu acompanhado do alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo; dos ministros do Interior e Justiça, Carlos Holguín, e de Defesa, Juan Manuel Santos; e do comandante das Forças Militares, general Freddy Padilla de León.

No pronunciamento, o presidente disse que seu Governo obteve do dos Estados Unidos permissão para que agentes estaduais e representantes da sociedade civil possam viajar para esse país para acompanhar os julgamentos nos quais os extraditados devem comparecer.

"Os acordos de cooperação judicial com os Estados Unidos facilitam a troca de provas e a prática nesse país por parte das autoridades colombianas", continuou Uribe.

O governante disse que Washington também aceitou que a riqueza que os ex-paramilitares entreguem mediante acordos judiciais nesse país "se dedique a ajudar as vítimas colombianas".

"Nada se opõe a que a reparação moral ocorra a partir dos Estados Unidos", afirmou Uribe, que disse que esta extradição em massa não implica em uma paralisia dos processos que eles enfrentam na Colômbia dentro da jurisdição especial de justiça e paz. EFE jgh/db

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