Uribe nega mal-estar com Chile por relatório sobre as Farc

Santiago do Chile, 16 set (EFE) - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, negou hoje o mal-estar entre seu Governo e o chileno por uma suposta negligência deste em relação a um relatório sobre supostos vínculos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com extremistas chilenos que apóiam os mapuches.

EFE |

"Não temos nenhuma exigência para o Chile", afirmou Uribe, antes de deixar o território chileno às 9h30 (10h30 de Brasília) rumo ao seu país, depois de ter participado na segunda-feira da cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul) que tratou da crise na Bolívia.

"Tudo o que se disse sobre o tema foi dito, queridos amigos", afirmou Uribe, frustrando, assim, os políticos da oposição direitista chilena.

Segundo os opositores, o Governo de Uribe estava em mal-estar com o Palácio da Moeda porque, após ter fornecido em maio um "dossiê" de e-mails apreendidos das Farc que revelavam vínculos de extremistas chilenos com a guerrilha colombiana, as autoridades chilenas não tomaram nenhuma medida.

O jornal "La Tercera" publicou dias atrás que setores do Governo de Bogotá decidiram então pressionar o Executivo chileno e mostraram o relatório ao empresário Sebastián Piñera, pré-candidato presidencial da direita chilena, quando ele visitou a Colômbia, em julho.

Um dos acompanhantes de Piñera, o senador Alberto Espina, tornou parte do relatório público, o que causou a renúncia de um funcionário do Governo citado no documento.

Além disso, a oposição acusou o Governo da presidente Michelle Bachelet de negligência, por não ter passado a informação para a Justiça.

O Governo chileno disse que as denúncias tinham caráter eleitoral e esclareceu que a informação estava sendo analisada pela Agência Nacional de Inteligência, que não tinha encontrado no documento indícios de atividades criminosas no Chile.

O presidente da Colômbia afirmou hoje que seu Governo reconhece o apoio que recebeu do Executivo chileno em sua luta contra o terrorismo.

Ele também reafirmou que "o Governo da Colômbia não tem nenhuma exigência para fazer ao do Chile".

"Ao contrário, nós encontramos apoio e compreensão do Governo do Chile em nossa luta contra a violência terrorista", acrescentou.

No Chile, o assunto causou polêmica e, nesta segunda-feira, o ministro do Interior, Edmundo Pérez Yoma, e o encarregado da agência de inteligência, Gustavo Villalobos, compareceram perante a comissão de Segurança da Câmara dos Deputados para dar explicações.

Depois da sessão, Pérez Yoma disse que sabe "exatamente" quem entregou o relatório a Piñera na Colômbia, e afirmou que o empresário e seus acompanhantes, os senadores Andrés Allamand e Alberto Espina, foram "vítimas de uma operação política". EFE ns/ab/db

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