Uribe não aceita mediação internacional na libertação de reféns das Farc

O governo colombiano não aceita a mediação internacional na anunciada libertação unilateral de seis reféns em poder da guerrilha das Farc e está só poderá ser feita através do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), afirmou o presidente Alvaro Uribe.

AFP |

"Se (as Farc) vão libertá-los, eles têm o CICV, pois não vamos permitir que sejam afetadas as relações internacionais envolvendo a comunidade internacional", afirmou Uribe em um discurso público em Bogotá.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram no domingo que libertarão, unilateralmente, seis reféns em seu poder, sendo dois políticos, três policiais e um militar, segundo informou o site da agência Anncol.

"Como mostra de nossa disposição e como gesto que visa a gerar condições favoráveis para a troca humanitária (de reféns por rebeldes presos), anunciamos a próxima libertação, unilateral, de seis prisioneiros", destaca o comunicado do grupo rebelde.

Segundo a guerrilha, a decisão é uma resposta à carta enviada por um grupo de personalidades da sociedade civil, liderado pela senadora Piedad Córdoba, que pede às Farc o fim dos seqüestros.

A libertação será realizada em duas etapas, com três policiais e um militar sendo soltos em um primeiro momento, antes da liberação do ex-governador Alan Jara e do ex-deputado Sigifredo López.

De acordo com a direção das Farc, os seis serão entregues a uma comissão liderada pela senadora Córdoba, que serviu no passado de mediadora para a troca de guerrilheiros presos por reféns dos rebeldes.

A senadora estimou que a libertação dos reféns não ocorrerá antes do final do ano.

Os seis integram o grupo de 28 reféns que as Farc propõem trocar por cerca de 500 rebeldes presos.

Do mesmo grupo faziam parte os 15 reféns - incluindo a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares e policiais - resgatados em julho passado em uma ação espetacular de comandos do Exército colombiano, que se fizeram passar por pessoal da Cruz Vermelha e da rede estatal de televisão da Venezuela.

Alan Jara foi seqüestrado no dia 15 de julho de 2001, quando se deslocava em um veículo das Nações Unidas.

Já Sigifredo López é o único sobrevivente do grupo de 12 deputados do departamento de Valle seqüestrado em 11 de abril de 2002. Os outros 11 políticos foram mortos pela guerrilha em 18 de junho de 2007, durante uma suposta ação do Exército para resgatá-los.

Esta será a segunda libertação unilateral de reféns por parte das Farc, que entre janeiro e fevereiro passados entregou seis políticos a Córdoba e a uma delegação do governo da Venezuela, em um gesto de "desagravo" ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que em novembro de 2007 foi retirado da posição de mediador da troca humanitária por decisão de seu homólogo colombiano, Alvaro Uribe.

cop/LR/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG