Uribe lança incertezas em meio a escândalos e problemas com vizinhos

Esther Rebollo. Bogotá, 19 dez (EFE).- A incerteza semeada pelo presidente Álvaro Uribe sobre sua eventual candidatura a uma segunda reeleição marcou um ano carregado de escândalos na Colômbia pelas escutas ilegais e as execuções extrajudiciais, em meio a uma tensa relação com outros países da região.

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O mais explícito que Uribe disse sobre sua reeleição é que "está nas mãos da Justiça, do povo e de Deus", enquanto os colombianos estão desorientados faltando apenas cinco meses para as eleições de maio, e a Corte Constitucional adiou para 2010 seu decisão sobre a viabilidade do plebiscito que permitiria ao presidente concorrer novamente.

Este tribunal deve determinar a constitucionalidade da Lei de Plebiscito, que tem como objetivo modificar mais uma vez a Carta Magna, após a mudança de 2005 que possibilitou a primeira reeleição de Uribe.

Enquanto a sociedade discute se o presidente deve ou não tentar se reeleger, Uribe mantém índices de popularidade superiores a 60% e que praticamente não foram prejudicados pelos graves escândalos que atingiram importantes organismos estatais.

O Departamento Administrativo de Segurança (DAS, serviço de inteligência) foi um dos protagonistas do ano com a divulgação, pela imprensa, de que praticou escutas e investigou magistrados, políticos opositores, jornalistas e defensores dos direitos humanos.

Pressionado pelos magistrados do Supremo que foram vítimas do crime e que averiguam vínculos de pessoas próximas a Uribe com os paramilitares, o presidente se declarou favorável à eliminação do DAS.

Até o momento, foi aberta uma investigação sobre cerca de 30 funcionários, entre eles os quatro ex-diretores do DAS que exerceram o cargo desde 2002, quando Uribe chegou ao poder.

Mas o escândalo mais grave está relacionado com as execuções extrajudiciais supostamente praticadas pelo Exército, conhecido como o caso dos "falsos positivos" e no qual a Procuradoria contabiliza mais de 1.800 vítimas.

Foi também a imprensa que mostrou esses assassinatos de jovens pobres, que foram recrutados sob promessas de emprego e depois assassinados para serem apresentados como guerrilheiros mortos em combate.

Estes fatos respondem a uma política de incentivos no seio das Forças Militares, em que comandantes que apresentam baixas de guerrilheiros recebem prêmios ou promoções.

"O problema dos falsos positivos surgiu de uma prática sistemática do Exército", assinalou em junho o relator da ONU sobre execuções extrajudiciais, Philip Alston, após uma visita à Colômbia, declarações que significaram um duro golpe no Governo.

Os ventos também não sopraram a favor de Uribe no exterior, já que apesar dos passos para restaurar as relações diplomáticas com o Equador, suspensas desde 2008, a situação tornou-se grave com o outro vizinho: a Venezuela.

Quando em agosto se tornou público o acordo militar que Bogotá negociava com Washington, que dava aos americanos o direito de usar bases colombianas na luta contra a guerrilha e o narcotráfico, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, congelou as relações políticas e comerciais com a Colômbia.

Esse foi o início de uma grave crise, alimentada pelos gritos de guerra lançados por Chávez e que na fronteira colombiana provocou a perda de 170.000 empregos, segundo o Governo, enquanto em outubro as exportações à Venezuela tinham caído 22%.

Para Uribe, a Venezuela mantém um "embargo ilegal" contra a Colômbia, já que esse país foi historicamente o principal comprador de produtos colombianos, mas Chávez insiste em que pode comprar de quem quiser.

A tensão levou à destruição de três pontes que ligam os dois países por parte dos venezuelanos, à morte de uma dúzia de colombianos no país vizinho e a uma grande perda comercial para a Colômbia.

Além disso, Bogotá insiste em que Caracas esconde guerrilheiros em seu território.

Já Chávez afirma que esse acordo militar é "um plano de guerra contra a América do Sul", opinião que não é compartilhada por todos os países do continente nesses termos, mas que em geral não agradou à ninguém na região. EFE erm/mh

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