Bogotá, 13 mai (EFE).- Um grupo de ex-chefes paramilitares extraditados pela Colômbia chegou hoje ao aeroporto executivo Opa-locka de Miami escoltado por agentes do Departamento Americano Antidroga (DEA, na sigla em inglês).

Vestidos como civis e algemados, os extraditados desembarcaram de vários aviões no aeroporto de Opalocka, no condado de Miami-Dade.

Segundo o presidente colombiano, Álvaro Uribe, seu Governo os extraditou nesta madrugada para os Estados Unidos porque descumpriram seus compromissos com a paz.

Dentre os detidos estava o ex-chefe máximo das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), Salvatore Mancuso, junto com outros 13 antigos comandantes dessa organização paramilitar dissolvida.

Os EUA reivindicavam a extradição de 16 ex-chefes das AUC por crimes ligados ao narcotráfico. Eles eram favorecidos pelo Governo colombiano e por isso não eram enviados ao exterior, mas precisavam cumprir algumas condições, entre elas não voltar a pegar em armas, não mentir e reparar as vítimas.

Em uma declaração por meio de uma rede de rádio e televisão do país, Uribe defendeu que o "Governo deve manter o dever de verificar se uma pessoa beneficiária da suspensão de envio em extradição cumpriu ou não com as condições exigidas".

No caso destes ex-paramilitares, o presidente defendeu que "alguns deles haviam reincidido no delito (...), outros não cooperavam devidamente com a justiça e todos descumpriam com a reparação das vítimas ao ocultar bens ou demorar sua entrega".

Ou seja, os ex-chefes paramilitares contradiziam a Lei de Justiça e Paz. Essa polêmica lei aprovada visava a reinserção das AUC, que se dissolveram em meados de 2006 após haver desarmado mais de 31 mil ultra-direitistas.

A lei, com 3.284 postulados, estabelece penas de cinco a oito anos de prisão, suscetíveis a redução, para responsáveis de delitos de lesa-humanidade, como massacres, homicídios e desaparições forçadas.

"Não se pode atuar sem firmeza em relação à reincidência no assassinato e em outros delitos", expressou o chefe do Estado, que compareceu em uma sala de conferências da Casa de Nariño, sede do Executivo.

Uribe foi acompanhado pelo alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo; pelos ministros do Interior e Justiça, Carlos Holguín, e da Defesa, Juan Manuel Santos, e pelo comandante das Forças Militares, general Freddy Padilla de León.

"O Governo considera que esta decisão é garantia para a reparação das vítimas, contribui com a verdade sem deformações, é uma advertência a todas as pessoas submetidas à Lei de Justiça e Paz, estabelece um antecedente para futuros processos de paz e notifica que a lei tem que ser respeitada e o terrorismo superado", explicou o chefe de Estado.

Apesar da grande quantidade de extraditados, Uribe disse que os EUA aceitaram a solicitação de que o dinheiro entregue por essas pessoas, após acordos com juízes, seja direcionado para a reparação das vítimas colombianas.

Segundo ele, "nada se opõe à realização da reparação moral a partir dos EUA", acrescentando que agentes estatais e representantes da sociedade civil poderão viajar para os EUA para continuar os julgamentos dos ex-paramilitares em questão.

A extradição surpreendeu Salvatore Mancuso, Rodrigo Tovar Pupo, Diego Fernando Murillo, Ramiro Vanoy, Hernán Giraldo Serna, Francisco Javier Zuluaga, Guillermo Pérez Alzate, Manuel Enrique Torregrosa, Diego Alberto Ruiz, Juan Carlos Sierra, Martín Peñaranda, Edwin Mauricio Gómez, Nodier Giraldo Giraldo e Eduardo Enrique Vengoechea.

O grupo extraditado hoje se junta a Carlos Mario Jiménez, conhecido como "Macaco", que foi entregue à Justiça americana no dia 7 de maio.

A decisão também causou espanto entre os opositores de Uribe, que enfrenta um momento difícil em torno do tema "parapolítica", em função das crescentes acusações sobre supostas relações de congressistas e funcionários públicos com as antigas AUC.

A maior investigação do caso continua na Corte Suprema de Justiça (CSJ), que vinculou o processo a 63 congressistas, em sua maioria, afiliados a Uribe, dos quais a metade está detida.

"Extraditaram todas as testemunhas do processo da 'parapolítica'", declarou a investigadora Claudia López, reconhecida por seus estudos sobre a influência paramilitar na política colombiana.

A estudiosa considerou que, com a entrega destes ex-chefes, "foi decretado o fim do processo da 'parapolítica'".

Apenas um dia antes, o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, disse em uma entrevista ao jornal "El Espectador" que a extradição de ex-paramilitares era conveniente para os dois países.

"No final de tudo, a Colômbia se liberta de uma pessoa que causa dano e os EUA recebem justiça", argumentou o diplomata. EFE jgh/bm/fb

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