Uribe ganha sinal verde para segunda reeleição com aprovação de referendo

Ovidio Castro Medina Bogotá, 2 set (EFE).- O Congresso da Colômbia aprovou hoje por maioria o projeto de Lei para a realização de um plebiscito que outorga ao presidente Álvaro Uribe sinal verde para optar por uma segunda reeleição se decide apresentar-se ao pleito de 2010.

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Após quase 15 horas de debate, no qual se escutaram alegações e se determinou, caso por caso, que congressistas podiam votar e quais não, já que muitos deles estão sendo investigados pela justiça, o Legislativo realizou a votação em cinco minutos.

Mal saber o resultado da votação, lida pelo secretário da Câmara quase à meia-noite, os uribistas aplaudiram e se abraçaram com entusiasmo.

A iniciativa requeria para sua aprovação de 84 votos, maioria absoluta, enquanto os parlamentares do Polo Democrático Alternativo (PDA, esquerda) e do liberalismo se abstiveram de votar.

O ministro do Interior e Justiça, Fabio Valencia, agradeceu o trabalho dos legisladores e disse que "agora é o próprio povo colombiano o que decide".

"Muito obrigado a todo o Congresso, ao Senado, à Câmara, porque cumpriram com seu compromisso com o povo", acrescentou Valencia, em breves declarações oferecidas a jornalistas após a votação.

"Aqui existe uma desejo de afetar algo muito importante para os colombianos, sua Constituição. Acho que na Colômbia vamos rumo a uma polarização social", advertiu a seu turno o representante Franklin Legro, do esquerdista Polo Democrático Alternativo e contrário à reeleição do presidente.

Depois, após conhecer-se o resultado, o representante liberal Rodrigo Lara se limitou a dizer que tinha ganhado "o cartel de Medellín".

O congressista Roosevelt Rodríguez, do governista Partido do U, pediu a seus colegas que votassem "sem medo nem temor" e acrescentou que esta formação política, à qual pertence Uribe, "não necessita propinas" para defender a iniciativa legislativa.

Com o sinal verde da Câmara de Representantes, a Lei de referendo passa agora às mãos da Corte Constitucional, que deverá emitir uma sentença antes de 90 dias.

Se a Lei passa, O Registro Nacional (responsável pela organização eleitoral) deverá preparar a logística para fazer efetivo o plebiscito, pelo que se perguntará aos colombianos se querem ou não uma segunda reeleição imediata de Álvaro Uribe.

Mas ao presidente não basta o referendo, necessita, além disso, a votação de pelo menos sete milhões e meio de colombianos de um total de 30 milhões de eleitores.

A jornada começou relacionando os impedimentos de congressistas que estão sendo investigados pela Corte Suprema por haver votado o projeto sem que este tivesse cumprido todos os trâmites legais.

Depois, os representantes das diferentes bancadas, em veementes intervenções, expressaram seus pontos de vista e as razões que se deveriam levar em conta à hora de aceitar ou não o referendo, antes de submetê-lo a votação.

Há duas semanas o Senado deu sinal verde a polêmica lei.

A Lei de referendo foi aprovada hoje em meio as fortes críticas do opositor Polo Democrático Alternativo (PDA, esquerda) e do Partido Liberal, que acusaram ao Governo de oferecer propinas para aprovar a iniciativa.

Dezenas de congressistas e ex-congressistas foram investigados nos últimos meses porque supostamente foram beneficiados com cartórios e outras compensações por votar a favor da reforma constitucional que possibilitou a Uribe optar a sua primeira reeleição em 2006.

Além disso, nas últimas horas foram detidos os parlamentares governistas Edgar Eulises Torres e Juan Pablo Sánchez por seus vínculos com paramilitares, enquanto Odín Sánchez, também legislador aliado de Uribe, se entregou às autoridades ao conhecer uma ordem de captura pelo mesmo delito.

O presidente colombiano ganhou seu primeiro pleito em 2002 e já no poder impulsionou uma reforma constitucional para permitir a reeleição presidencial por uma só vez, o que conseguiu em 2006.

Apesar da grande operação que iniciaram seus correligionários para preparar o novo plebiscito, Uribe ainda não se pronunciou sobre suas intenções de apresentar-se nas eleições de 2010. EFE ocm/fk

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