Lima, 16 mai (EFE).- O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, fez hoje votos para que a América Latina possa avançar na mesma direção da União Européia (UE), acabando com enfrentamentos históricos e consiga grandes equilíbrios em torno da democracia.

Em declarações feitas antes de participar da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (LAC-EU, na sigla em inglês), Uribe refez o pedido que havia lançado em Bogotá na quinta-feira às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para que libertem a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e os demais seqüestrados antes desta reunião.

"Simplesmente (faço) um pedido a estes guerrilheiros das Farc que libertem hoje os seqüestrados por ocasião desta cúpula", afirmou.

O líder colombiano também insistiu em sua reivindicação para que se permita o avanço nas negociações com os países da Comunidade Andina que estejam interessados em um acordo com a UE, para que não sejam prejudicados pelos que estão caminhando em outro ritmo.

"A mim me parece que não pode existir imposições nem obstáculos", disse.

Em uma longa entrevista à "Rádio Programas del Perú", o líder falou sobre as lições que, em sua opinião, a América Latina pode extrair dos 50 anos de integração européia e destacou o fato de que os 27 países membros estejam sujeitos à "regra democrática".

Uribe destacou que "a União Européia, sem apontar explicitamente como um de seus objetivos, conseguiu que ninguém receba criminosos de outro país europeu", ressaltou.

"Tomara que possamos avançar na mesma direção no processo da América Latina", afirmou.

Em relação às diferenças existentes dentro do grupo andino em torno da negociação em curso com a EU para fechar um acordo de associação de conteúdo comercial, político e de cooperação, o líder pediu que se respeite a diversidade de opiniões e que não sejam colocados obstáculos entre as partes.

"É muito grave que a Colômbia e o Peru, que precisam deste acordo, e tendo em vista que estamos de acordo em acelerar a negociação, imponhamos condições à Bolívia e ao Equador. Mas também é muito grave que a Bolívia e o Equador queiram frear a negociação, eu acho que esses são os pontos de hoje", observou.

Quanto ao pedido do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que os países europeus perdoem a dívida dos latino-americanos, Uribe pediu a "solidariedade" com os mais pobres, mas sem que isso se transforme em "um obstáculo na negociação" e opinou que isso também não pode ser um impedimento para a política migratória da UE.

"Eu acho que o que impede a negociação é um fundamentalismo ideológico relacionado ao comércio (...) Como o presidente do Peru, Alan García, pensamos que o comércio para nós com a União Européia não é uma categoria ideológica (...) para nós é um caminho prático porque é um caminho para atrair investimento, gerar empregos de boa qualidade para ajudar nossos países a superar a pobreza e construir eqüidade", disse. EFE mf/fb

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