Uribe enfrenta desafio complicado após final de missão de mediação européia

Enrique Ibáñez Bogotá, 15 jul (EFE).- O final da mediação dos emissários de países europeus - em especial França e Suíça - para buscar um acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) representa hoje um desafio complicado para o Governo de Álvaro Uribe, que procura contatos diretos com esta guerrilha.

EFE |

O presidente Uribe, após a operação militar de resgate de Ingrid Betancourt e de outros 14 seqüestrados no dia 2 de julho, decidiu encerrar a intervenção autorizada dos países medidores (França, Suíça e Espanha) para buscar uma aproximação com as Farc e anunciou sua intenção de estabelecer um contato direto.

A decisão foi tomada como conseqüência do êxito da operação, mas também pela desconfiança expressada pelos emissários Noel Saez (francês) e Jean-Pierre Gontard (suíço) de que o Governo suspeita de uma proximidade com as Farc e de que houve um excesso em suas funções.

A França, por meio de seu embaixador em Bogotá, Jean Michel Marlaud, afirmou que a mediação européia, após a decisão colombiana, "ficou sem espaço" para buscar um acordo que liberte os seqüestrados e pediu que a guerrilha reflita.

Entretanto, as suspeitas sobre o trabalho do emissário suíço vão além, e hoje a Promotoria colombiana informou que convocaria Gontard para responder pelas acusações de conduzir US$ 500 mil das Farc na Costa Rica.

O procurador-geral Mario Iguarán disse hoje à emissora de rádio "A W" que a decisão foi tomada após as declarações neste sentido do ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, e que segundo as últimas investigações a aproximação alcançada por Gontard com as Farc aparentemente excedeu os limites humanitários.

O líder colombiano reiterou seu convite às Farc e também ao Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda guerrilha do país, a realizarem um acordo de paz "com dignidade", com o argumento de que seu Governo está disposto ao diálogo.

Uribe afirmou que, enquanto se busca este acordo, seu Governo continuará com a política de segurança democrática e não retrocederá em suas operações militares.

O Governo, que sente-se apoiado após o resgate do dia 2 de julho, tenta alcançar um contato direto com o líder das Farc "Alfonso Cano" para conseguir um acordo humanitário que garanta a libertação dos seqüestrados e, eventualmente, conseguir um processo de paz.

A dúvida apresentada pelos analistas, caso se alcance este contato, é se o acordo político com a guerrilha deve preceder sua vontade de desmilitarização ou se deve-se alcançar sua desmobilização antes de entrar em negociações de paz.

"Caso as Farc queiram a paz, devem depor as armas", afirmou no último fim de semana o principal assessor de Uribe, José Obdulio Gaviria, para quem a guerrilha, após as operações militares, se transformou em um "bando disperso", sem estrutura clara de comando e com muitas dificuldades de comunicação interna.

Outros analistas afirmam que se a condição do Governo para negociar é a desmobilização será muito difícil qualquer aproximação em razão da vontade de Uribe de não retroceder nas operações.

Não se pode descartar que para acontecer uma aproximação é necessário conseguir um "meio termo", ou seja, negociar a paz após a libertação dos seqüestrados sem o abandono das armas, mas com uma vontade clara de fazer isto.

Não parece fácil, pois o presidente colombiano afirmou que não permitirá que a guerrilha use o diálogo, como fez durante o processo de paz com seu antecessor, Andrés Pastrana (1998-2002), para ganhar tempo e se reforçar militar e internacionalmente.

Uribe afirmou ontem que estará disposto "no momento em que as Farc quiserem um diálogo", e a dúvida está em conhecer os termos desta conversa. EFE ei/fal

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