Uribe enfrenta críticas em cúpula de líderes sul-americanos

Por Damián Wroclavsky BARILOCHE, Argentina (Reuters) - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, defendeu nesta sexta-feira sua decisão de permitir que os Estados Unidos usem bases militares em território colombiano para combater o tráfico de drogas, em uma cúpula tensa na qual ouviu críticas de outros líderes da região.

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Os atritos entre os presidentes presentes à cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreram mesmo com o esforço de Chile, Brasil e Argentina para que o encontro de urgência aplacasse a crise política regional desatada pelo pacto.

"Não temos hipotéticos jogos de guerra com vizinhos... Em troca, em várias ocasiões, o presidente (venezuelano Hugo) Chávez disse que pega os aviões Sukhoi. Sofremos várias ameaças verbais de ataque", disse Uribe ante seus colegas.

Bogotá sustenta que a ampliação da cooperação militar com Washington é um reforço ao programa já existente de luta contra o narcotráfico e o terrorismo.

Mas Chávez, principal crítico dos EUA na região, considera que o pacto militar é um perigo para seu país e para a América do Sul, já que permitiria aos EUA terem uma plataforma militar num ponto chave do continente.

"É uma estratégia global dos Estados Unidos. Essa é a razão", disse Chávez, fazendo referência a um documento do Departamento de Estado norte-americano sobre a necessidade de uma base de "mobilidade" na América do Sul.

O mandatário equatoriano, Rafael Correa, também não poupou críticas.

"Me preocupa muito e não posso aceitar que um documento dos Estados Unidos nos trate como o quintal de trás", declarou Correa, presidente pro tempore do órgão sul-americano.

CLIMA DE IRRITAÇÃO

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, tentou contemporizar em seu discurso."Me preocupava o grau de tensão e de beligerância que podia ser sentido. Me parece muito importante que estejamos tratando de diminuir as tensões".

A mandatária reconheceu "legítimas preocupações", mas destacou a capacidade de discutir "em alto nível, com moderação e vocação integracionista".

Mas o tom mais moderado de alguns líderes não eliminou o clima de irritação que ainda cruza a região. Lula instou a resgatar a confiança entre os países.

"Foi tudo muito complicado, muito adverso. Quase como se a Unasul fosse um fracasso. E estamos sobrevivendo", disse em um discurso onde reiterou a preocupação pela presença de forças estrangeiras perto da Amazônia.

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