Uribe e Kouchner revisam possibilidade de solução humanitária na Colômbia

Bogotá, 28 abr (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, revisaram hoje pela segunda vez em dois meses a possibilidade de uma solução humanitária ao caso de Ingrid Betancourt e dos demais seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com fins de troca.

EFE |

O assunto foi abordado em uma "reunião cordial e intensa" na sede do Executivo em Bogotá, primeira parada de uma breve viagem que levará Kouchner amanhã ao Equador e terminará, na quarta-feira, na Venezuela.

Não houve qualquer pronunciamento de Kouchner na capital colombiana, à qual chegou hoje com uma mensagem do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Uribe, cujo conteúdo se desconhece.

O diretor para as Américas e o Caribe do Ministério de Assuntos Estrangeiros da França, o ex-embaixador em Bogotá Daniel Parfait, acompanhou Kouchner no encontro com Uribe.

Previamente, o ministro francês deixou em silêncio uma reunião com o chanceler colombiano, Fernando Araújo, e um encontro com familiares de seqüestrados, entre eles Yolanda Pulecio, mãe de Betancourt.

Também participaram do encontro os ex-reféns Clara Rojas e Luis Eladio Pérez, libertados pelas Farc de forma unilateral entre janeiro e fevereiro junto com outros quatro cativos.

A congressista opositora Piedad Córdoba também assistiu a este encontro preliminar, que aconteceu em um hotel de Bogotá e no qual ela ratificou que é necessário que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, seja restabelecido no papel de mediador junto aos rebeldes, função que exerceu de agosto a novembro do ano passado.

"O processo de acordo humanitário passa por Chávez", sustentou Córdoba, para quem a busca desta saída "está no limbo" e pelo qual é preciso "buscar canais de confiança".

Uribe tinha afirmado previamente na cidade de Neiva (sudoeste) que explicaria ao ministro de Exteriores francês "os esforços feitos pela instituição armada da Colômbia para tentar obter a localização dos seqüestrados".

Também anteriormente, o embaixador francês em Bogotá, Jean-Michel Marlaud, disse que seu país continua com todos os "esforços a favor da libertação dos seqüestrados".

Marlaud lembrou a missão aérea humanitária que o Palácio do Eliseu enviou à capital colombiana no dia 3 de abril e que retornou a Paris seis dias depois sem cumprir sua incumbência.

A operação, organizada em conjunto com Espanha e Suíça, tinha como objetivo fornecer assistência médica a Betancourt e a outros doentes no grupo de seqüestrados com fins de troca.

No entanto, foi desmontada depois que os rebeldes, em comunicado do dia 8, notificaram que a missão era "improcedente", porque não tinha sido negociada.

O assunto da missão também esteve na agenda de Kouchner em Bogotá, na qual também abordou com Uribe e com Araújo a crise diplomática regional gerada com a recente operação colombiana contra uma base das Farc em território equatoriano.

A ação, lançada no dia 1º de março, terminou com a morte do número dois do comando e porta-voz internacional da guerrilha, conhecido como "Raúl Reyes", além de 25 pessoas, entre elas um rebelde equatoriano e quatro estudantes universitários mexicanos.

Além das tensões entre os países andinos, sobretudo pela ruptura equatoriana de relações com a Colômbia, Kouchner se deparou em Bogotá com novas advertências dos rebeldes sobre o acordo humanitário e suas condições.

Em comunicado divulgado pela Internet, o comando central das Farc afirmou que só negociará este acordo no território desmilitarizado que exigiram, formado pelas localidades de Florida e Pradera (sudoeste).

Além disso, informou que incluiu na lista de presos passíveis de troca "Ivan Vargas", extraditado em novembro aos Estados Unidos, para onde foram enviados na mesma condição "Simón Trinidad" e "Sonia", em dezembro de 2004 e março de 2005, respectivamente.

O chefe rebelde "Ivan Márquez", do secretariado das Farc, afirmou em entrevista publicada no dia 26 de abril pelo jornal argentino "Perfil" que as possíveis entregas unilaterais de reféns "estão por enquanto suspensas". EFE jgh/mh

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