Uribe e Chávez recuperam confiança em relações e pactuam impulso ao comércio

Guillermo Tovar. Cartagena (Colômbia), 24 jan (EFE).- Os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chávez, celebraram neste sábado a recuperação da confiança nas relações bilaterais, após um período de crise, e anunciaram ações para promover o comércio, que alcança níveis históricos.

EFE |

Os líderes se reuniram durante sete horas na cidade colombiana de Cartagena, na 13ª reunião bilateral dos governantes em ambos os países desde 2002.

"Tivemos uma reunião mais do que produtiva", concordaram Uribe e Chávez.

O presidente da Venezuela destacou que "é preciso continuar fortalecendo essa confiança, não perdê-la jamais".

Chávez chegou a Cartagena acompanhado por sete de seus ministros, quase todos da área econômica, que se reuniram com seus pares colombianos, entre eles os chanceleres da Colômbia, Jaime Bermúdez, e da Venezuela, Nicolás Maduro.

Os presidentes, como prova de seu interesse em relançar as relações e em centrá-las no aspecto comercial, anunciaram a designação de novos embaixadores, que os acompanhavam na reunião.

O ex-ministro do Comércio Gustavo Márquez será o embaixador da Venezuela em Bogotá e a economista María Luisa Chiappe, presidente da Câmara de Comércio Colombo-venezuelana, será embaixadora da Colômbia em Caracas.

O presidente da Venezuela diminuiu a importância de seu possível papel de mediador para a libertação dos seqüestrados pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que realizou em 2007 a pedido de Uribe.

Lembrou que essa gestão causou problemas entre as duas nações e, após dizer que está disposto a fazer sempre o que lhe pedirem pela paz da Colômbia, rejeitou que seu Governo apóie os rebeldes colombianos.

Chávez preferiu falar do comércio bilateral, que no ano passado superou os US$ 7 bilhões, com uma balança amplamente propícia à Colômbia.

"Somos obrigados a conservar essa troca, a solidificá-la", disse Chávez, lembrando que quando ele chegou ao poder o valor do comércio bilateral não chegava a US$ 2 bilhões e propôs trabalhar para levá-lo a US$ 10 bilhões em 2010.

"Isso é possível, independentemente da crise internacional", acrescentou o presidente socialista, que se declarou alarmado pela situação e a resumiu como "crise do capitalismo".

Para Hugo Chávez, a crise tem horizontes imprevisíveis, é uma ameaça para o mundo e começa a bater nos cinco continentes.

Uribe e Chávez acertaram constituir um fundo de US$ 200 milhões fornecidos por partes iguais para promover pequenas e médias empresas nos dois países como fórmula para enfrentar o difícil panorama econômico internacional.

Além disso, pactuaram uma comissão de estudos econômicos e uma reunião em abril próximo em território venezuelano para assinar planos conjuntos para enfrentar a crise.

Chávez se declarou disposto a estudar um aumento na quota de importação de automóveis colombianos, a pedido de Uribe, e destacou o apoio colombiano por meio da venda de vários produtos, especialmente alimentos.

Uribe agradeceu a visita de seu colega e convidou-o a participar da assembleia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que será realizada em março na cidade colombiana de Medellín, convite que este último prometeu estudar.

Uribe, reeleito em 2006 e que não confirmou se aspira a um terceiro mandato de quatro anos desde 2010, disse que respeita "profundamente" a consulta convocada por Chávez para fevereiro, na qual se decidirá nas urnas sua permanência indefinida no cargo. EFE gta/ma

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