Uribe disputa reeleição se referendo passar, dizem congressistas

BOGOTÁ (Reuters) - O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, disputará uma nova reeleição caso seja aprovado um referendo que autorize sua candidatura, disseram parlamentares governistas na segunda-feira. A proposta enfrenta grande resistência no Congresso. As afirmações dos congressistas da base aliada do governo, depois de uma reunião com Uribe, são as mais recentes em meio a incertezas sobre se o presidente, que tem elevados índices de popularidade, cederá à tentação de buscar um terceiro mandato.

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Uribe até agora não confirma nem nega pessoalmente sua intenção de disputar a reeleição, caso o referendo seja aprovado nas comissões da Câmara e do Senado.

"O presidente foi muito claro. Se for tomada uma decisão política e houver um sim ao referendo, ele tentará", disse a jornalistas o senador Jairo Clopatofsky, do governista Partido do U, depois de uma reunião de Uribe com representantes da agremiação na sede do governo.

"Nós, como uribistas e conhecendo algo do presidente, sabemos que, se ocorrer o referendo, ele vai voltar a disputar", disse, por sua vez, o deputado Lucero Cortés.

O Senado aprovou a reeleição a partir de 2010, enquanto a Câmara decidiu que a medida só valeria em 2014. As duas versões ainda precisam ser conciliadas.

A comissão encarregada de buscar um acordo ainda não definiu a data das suas reuniões, devido aos temores de alguns congressistas depois que a Corte Suprema começou a investigar 86 deputados que votaram favoravelmente na Câmara.

O senador Armando Benedetti, aliado de Uribe, estima que o acordo no Congresso pode sair até a terceira semana de agosto. Depois disso, a questão do referendo deverá ser enviada à Corte Constitucional, para que decida se a tramitação e aprovação foi legal.

Se passar pelo tribunal, o referendo deve ser convocado, e será considerado válido se tiver a participação de 25 por cento do eleitorado - cerca e 7,2 milhões de pessoas.

Especialistas alertam que a tramitação do assunto na Justiça pode demorar mais do que o previsto pelo governo, e isso tornaria inviável a reeleição de Uribe para um terceiro mandato consecutivo de quatro anos.

A próxima eleição presidencial está marcada para maio de 2010. Uribe, principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul, assumiu o poder em 2002 e se reelegeu em 2006 graças a uma emenda constitucional. Pela regra atual, ele não pode disputar um novo mandato.

(Reportagem de Nelson Bocanegra)

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