Uribe deve abrandar o tom com que trata as Farc, diz Betancourt

PARIS (Reuters) - O presidente colombiano, Alvaro Uribe, deveria abrandar o tom quando trata com a guerrilha marxista das Farc, disse na segunda-feira a refém libertada Ingrid Betancourt, pedindo a ele que rompa com a linguagem do ódio. Betancourt foi resgatada na semana passada, depois de passar mais de seis anos na selva como refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, numa operação amplamente vista como confirmação da efetividade da linha dura adotada por Uribe contra a guerrilha.

Reuters |

As Farc ainda mantêm centenas de reféns sequestrados, e Betancourt, que viajou a Paris 48 horas após sua libertação, disse que Uribe deveria mudar sua postura para ajudar a conseguir a libertação deles.

'O presidente Uribe, e não apenas ele, mas a Colômbia como um todo, deveriam mudar algumas coisas', disse Betancourt à rádio RF1, fazendo sua primeira crítica pública ao antigo rival político desde que foi libertada.

'Acho que é chegada a hora de mudar a linguagem do radicalismo, do extremismo e do ódio, as palavras muito fortes que causam mágoa profunda a um ser humano', falou, acrescentando que são necessários tolerância e respeito.

'Chega um momento em que é preciso concordar em conversar com as pessoas que odiamos', disse ela.

Ingrid Betancourt foi candidata rival de Uribe na eleição presidencial de 2002 e sequestrada antes da eleição. Uribe saiu vitorioso e foi reeleito em 2006, depois de a Constituição receber uma emenda para autorizá-lo a ter um segundo mandato.

Betancourt foi pródiga em elogios a Uribe após sua libertação, mas seu ressurgimento da selva vem motivando especulações de que ela poderia voltar à política e candidatar-se novamente à Presidência na próxima eleição.

AMBIÇÕES

O principal semanário de notícias colombiano, Semana, publicou esta semana uma pesquisa dizendo que a ex-refém lidera outros possíveis candidatos à Presidência, excetuando o próprio Uribe, imensamente popular, mas que, pelas regras atuais, não poderia se candidatar outra vez.

Betancourt disse que ainda é cedo para dizer se voltará à vida política na Colômbia e disse à RF1 que Uribe 'fez coisas muito boas para o país', mas acrescentou: 'Não estamos do mesmo lado (político)'.

Em entrevista separada à emissora France 24, Betancourt deixou entender que pode tentar encontrar um papel diferente na Colômbia.

'Não estou dizendo que não vá me candidatar à Presidência.

Talvez, algum dia. Ou talvez não. Quero dizer que não é essa minha ambição. Minha ambição é servir. Servir a meu povo, a meu país.'

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