O presidente colombiano, Álvaro Uribe, desistiu de convocar um referendo para decidir sobre a necessidade ou não de se repetir as eleições presidenciais de 2006, nas quais ele foi reeleito.

Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o ministro do Interior, Fabio Valencia, disse na sexta-feira que o governo tomou a decisão depois que a Corte Constitucional anunciou que não iria investigar a legalidade de um ato legislativo de 2004 que permitiu a reeleição para presidente.

"Com essa decisão, nem o ato legislativo nem a eleição de 2006 são postas em dúvida", afirmou Fabio Valencia ao jornal colombiano.

No mês passado, em um ato sem precedentes, a Suprema Corte de Justiça havia pedido à Corte Institucional que investigasse a legalidade da emenda, depois que a ex-congressista Yidis Medina foi condenada a 47 meses de prisão por receber suborno em troca de seu voto.

O voto favorável de Medina em 2004 foi crucial para a aprovação no Congresso da reforma constitucional permitindo que Uribe concorresse a um segundo mandato.

Outro ex-congressista, Teodolindo Avendano, também é investigado por suposta ligação com o esquema de suborno.

Popularidade

Uribe foi reeleito em maio de 2006, com mais de 60% dos votos.

A popularidade do presidente, que já estava alta, subiu este mês para 91% depois que uma operação do Exército colombiano libertou 15 reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre elas a ex-candidata à presidência, Ingrid Betancourt.

Porta-vozes do governo e da oposição consideraram "lógica" a decisão do governo, afirmou o El Tiempo.

"Não havia razão para esse referendo. A atuação do Congresso agora está ratificada com a decisão do tribunal", disse o presidente do Partido Conservador, Efraín Cepeda.

"A idéia de repetir as eleições não cabia na cabeça de nenhum ser racional", disse o senador de oposição Gustavo Petro.

O presidente Uribe ainda cogita tentar um terceiro mandato em 2010, para o qual será necessária uma nova mudança constitucional.

Partidários do presidente estão recolhendo assinaturas para entrar com uma petição que abriria caminho para uma terceira candidatura.

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