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Uribe descarta medida radical por causa de crise parapolítica

Por Nelson Bocanegra BOGOTÁ (Reuters) - O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, descartou na quarta-feira a adoção de medidas radicais contra a crise política provocada pela suposta ligação de parlamentares com grupos paramilitares.

Reuters |

Um dia depois da prisão de um primo de Uribe, a oposição reforçou a pressão pela dissolução do Congresso.

'O que me parece fundamental é não pôr o país a dar saltos na incerteza', disse Uribe à rádio Caracol, reagindo às propostas de antecipação das eleições. Ele prometeu uma saída institucional para a crise, sem afetar a confiança no país nem alterar a Constituição.

O presidente lamentou a prisão do ex-senador Mario Uribe, seu primo, e pediu pressa nas investigações. 'Tenho de sentir dor pessoal, seria grave se eu não sentisse, mas assimilo com patriotismo e sem afetar o cumprimento das minhas responsabilidades', afirmou.

Pelo menos 32 atuais e ex-parlamentares já foram presos, enquanto outros 30 são investigados, por causa de supostos vínculos com grupos paramilitares criados na década de 1980 por latifundiários para combater guerrilhas esquerdistas.

A maior parte dos envolvidos pertence à coalizão que reelegeu Uribe em 2006.

'Pensem no que tem de fazer este país para não desbaratar o que se construiu em termos de confiança. Esta instabilidade constitucional que se quer estimular agora cria muitas barreiras para que o país acelere seu desenvolvimento', disse.

O escândalo na bancada governista do Congresso, considerado uma das instituições mais impopulares e corruptas do país, até agora não afetou a impopularidade de Uribe, que em março atingiu 82 por cento, recorde em seu governo, iniciado em 2002.

Mas as acusações encontraram eco no Congresso norte-americano, onde a maioria oposicionista democrata se opõe à aprovação de um Tratado de Livre-Comércio com a Colômbia.

Tentando resgatar a imagem do Congresso colombiano, os partidos governistas aceitaram na semana passada abrir mão das vagas ocupadas por parlamentares que venham a ser condenados por vinculação com paramilitares.

Uribe também falou sobre sua contrariedade com um tribunal que adiou a extradição para os EUA do ex-líder paramilitar Carlos Mario 'Macaco' Jiménez, que antes será julgado na Colômbia.

Jiménez se entregou num processo de negociação que levou à desmobilização de 31 mil membros das milícias.

'Acho que este foi o governo do remédio para que não nos deixemos desorientar agora pelos problemas políticos que estão ocorrendo. Agora será preciso estudar o que se faz para as irritações políticas que o medicamento produz', concluiu.

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