Uribe confirma uso indevido do emblema do CICV em resgate de reféns

Bogotá, 16 jul (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, confirmou hoje que um oficial do Exército usou os emblemas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na operação de resgate de 15 reféns, o que fez o órgão internacional lembrar que seus símbolos não podem ser utilizados de maneira abusiva.

EFE |

Uribe destacou que, quando o helicóptero que levava os militares que participaram da "Operação Xeque" começou as manobras de aterrissagem, o oficial viu muitos guerrilheiros e, pelo nervosismo, colocou sobre o colete uma tela com os emblemas do CICV que levava no bolso.

"Pedimos ao CICV que nos perdoe. Lamentamos que isto tenha ocorrido", disse o líder.

Uribe assumiu a responsabilidade pelo fato e disse que o militar, que não receberá punições, também deve pedir desculpas aos companheiros que participaram da operação de resgate. Esta seria "a única maneira para construir confiança", disse o presidente colombiano "O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e os altos comandantes se reuniram esta manhã com o representante do CICV para lhe dar as explicações e lhe apresentar as desculpas", afirmou o chefe de Estado.

Uribe lembrou que, em repetidas ocasiões, ele e funcionários do Governo tinham dito que não usaram os emblemas da Cruz Vermelha no resgate de 2 de julho, mas que, mediante uma investigação anunciada hoje pelo vice-presidente Francisco Santos, foi confirmada sua utilização indevida.

Após ser informada pelo Executivo, a delegação do CICV na Colômbia lembrou, em comunicado lido pelo porta-voz, Yves Heller, que os emblemas da entidade "têm que ser respeitados em todas as circunstâncias e não podem ser usados de maneira abusiva".

"Como guardião do direito internacional humanitário, o CICV lembra que o uso do emblema da Cruz Vermelha está especificamente regulamentado pelos convênios de Genebra e pelos protocolos adicionais", afirmou Heller.

O porta-voz acrescentou que o CICV toma "nota" das declarações de Uribe.

O procurador-geral da Colômbia, Mario Iguarán, por sua vez, descartou que ele possa ser acusado de desleal, porque no resgate as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não foram atacadas, embora na operação tenham sido capturados dois chefes guerrilheiros.

"Não se pode falar em deslealdade, porque a exigência da norma internacional e nacional diz que é quando se atua para atacar e causar dano ao adversário, o que não aconteceu", afirmou.

No entanto, o protocolo adicional à Convenção de Genebra de 1949 contempla a proibição de "capturar um adversário valendo-se de meios pérfidos", como "simular que se possui um estatuto de proteção, mediante o uso de signos, emblemas (...)".

"Fica proibido fazer uso indevido do signo distintivo da Cruz Vermelha", acrescenta.

Delegados do CICV se reuniram na última sexta-feira com o rebelde conhecido como "César", capturado na operação de resgate, para confirmar a veracidade das denúncias de que militares usaram os emblemas.

Rodolfo Ríos, o advogado de defesa de Gerardo Antonio Aguilar, "César", e Alexander Farfán Suárez, conhecido como "Enrique Gafas", disse hoje à emissora de rádio "La W" que foram visitados por porta-vozes do CICV para averiguar os detalhes da "Operação Xeque" e suas denúncias sobre uso de emblemas do organismo.

A operação, realizada pelo Exército colombiano em 2 de julho, permitiu, graças à inteligência militar, enganar as Farc para resgatar os 15 reféns.

A utilização dos símbolos da Cruz Vermelha foi denunciada pela rede de televisão "CNN" dos Estados Unidos e por um dos dois rebeldes das Farc detidos na operação.

A "CNN" assegura ter tido acesso a várias fotografias do grupo da inteligência colombiana que liderou o resgate, fornecidas por uma fonte militar confidencial, nas quais se vê um homem usando um colete com o famoso emblema da organização internacional.

As fotos foram tiradas momentos antes do início da missão, segundo a fonte, que tentava vender o material à "CNN".

A emissora diz que não aceitou comprar ao preço solicitado, pois era incapaz de verificar a autenticidade das imagens.

O CICV insistiu em repetidas ocasiões que "não recebeu nenhuma solicitação nem participou da operação", considerada um êxito pelo Governo colombiano e qualificada de "impecável" por Betancourt. EFE fer/rb/db

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