Uribe começa um difícil último ano de mandato

Bogotá, 7 ago (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, começou hoje o último ano de seu mandato em meio a relações problemáticas com países vizinhos e sem garantir o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, ainda não aprovado pelo Congresso americano.

EFE |

As difíceis relações com Venezuela e Equador obrigaram Uribe, eleito pela primeira vez em 2002, a realizar esta semana uma viagem relâmpago por sete países sul-americanos aos quais explicou os limites de um acordo negociado por Bogotá e Washington, pelo qual militares americanos podem vir a utilizar sete bases colombianas no combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

O presidente colombiano não incluiu Venezuela e Equador em seu giro. Os dois países expuseram abertamente sua rejeição à possibilidade de os EUA operarem em bases colombianas por considerar tal procedimento perigoso para a região.

Hoje, o presidente americano, Barack Obama, esclareceu que os EUA não têm intenção de estabelecer uma base militar na Colômbia e que o acordo se trata apenas de melhorar os laços de cooperação com o país andino.

"Acho que é um bom momento para derrubar o mito de que estamos estabelecendo bases militares americanas na Colômbia. Essa declaração não se sustenta nos fatos, tanto que somos absolutamente claros ao dizer que temos um acordo de segurança com a Colômbia durante muitos anos e que queremos atualizá-lo", explicou Obama.

No aspecto econômico, Uribe terá trabalho, pois a crise mundial afeta a Colômbia, apesar de organismos multilaterais como o Banco Mundial terem dito que o país se preparou adequadamente para lidar com o problema e que deve superá-lo antes de outras nações.

No entanto, a situação é um pouco mais complexa. Na semana passada, a Venezuela congelou as relações comerciais com a Colômbia, enquanto o Equador impôs restrições a quase 1.700 produtos colombianos que são exportados para o país, o que deixa a economia do país sem dois de seus parceiros mais importantes.

Além disso, há o fato de o Congresso americano ainda não ter aprovado o TLC por exigir da Colômbia melhores resultados no campo dos direitos humanos.

Com as relações comerciais com Caracas e Quito rompidas, e sem o TLC com os EUA, os empresários colombianos começaram a demitir, aumentando a taxa de desemprego no país, 11,4% em junho, segundo o Departamento Nacional de Estatística (Dane) da Colômbia.

Uribe também deve encarar um referendo sobre reeleições que o permitiria concorrer novamente à Presidência nas eleições de 2010. A iniciativa, entretanto, ainda deve passar pela Corte Constitucional, que dirá se está dentro da Carta Magna colombiana.

O presidente da Colômbia não disse abertamente se tentará uma segunda reeleição. No entanto, em recente entrevista, afirmou esperar que o Congresso tome uma pronta decisão sobre a convocação a um referendo para consultar os cidadãos sobre o tema.

Uribe possui altos índices de popularidade e, segundo pesquisas do instituto Gallup na Colômbia, os picos de aceitação do chefe de Estado colombiano oscilaram entre 65% e 85% de 2002 a 2009.

O nível mais alto de apoio foi registrado na medição realizada três dias depois da Operação Xeque (julho de 2008), que permitiu a libertação de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Outra ação que elevou a popularidade de Uribe foi a que terminou com a morte de "Raúl Reyes", segundo no comando das Farc, durante uma operação de militares colombianos no Equador.

Por outro lado, Uribe é criticado dentro e fora da Colômbia por causa do escândalo dos chamados "falsos positivos", quando militares colombianos apresentaram pessoas pobres como guerrilheiros abatidos em combates.

Com isso, Uribe tem à frente um ano árduo, o último dos sete em que governou, no qual todas as suas habilidades como chefe de Estado serão postas à prova. EFE ocm/bba

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