favorável aos dois países - Mundo - iG" /

Uribe chega ao Brasil em momento favorável aos dois países

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, chega ao Brasil neste domingo para uma visita de três dias, cuja principal missão é agradecer pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela contribuição brasileira no resgate de seis reféns colombianos mantidos pelas Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc). Dezesseis militares brasileiros participaram da operação, que aconteceu há duas semanas na selva colombiana.

BBC Brasil |

Também foi utilizado um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB).

O momento é politicamente "bastante favorável" para os dois mandatários, de acordo com especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

"São os dois presidentes mais populares da América Latina comemorando uma operação de resgate de reféns. O momento não poderia ser mais favorável", diz o professor Rafael Duarte Villa, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com o Instituto Gallup Colômbia, o governo de Uribe tem 78% de aprovação. Já o presidente Lula chega a 84%, segundo a pesquisa CNT Sensus.

"É natural que ambos queiram tirar proveito político de um episódio positivo, que foi a libertação dos reféns", diz o professor da USP.

A operação de resgate, porém, não é a única motivação da aproximação entre Lula e Uribe. Para o historiador Francisco Carlos Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a eleição de um democrata à presidência dos Estados Unidos "abriu uma janela de oportunidade" na relação entre Brasil e Colômbia.

"A relação da Colômbia com os Estados Unidos, historicamente intensa, passa por um momento de interrogações", diz Teixeira. "Esse vácuo cria uma boa oportunidade para que Brasil e Colômbia intensifiquem suas relações".

Representantes do Partido Democrata americano têm se mostrado reticentes quanto ao acordo de livre comércio com a Colômbia, assinado em 2006 pelo presidente George W. Bush, mas até hoje não ratificado pelo Congresso.

Durante sua campanha, o então senador Barack Obama disse que seria contra o acordo bilateral caso eleito para a Presidência, "em função da violência contra sindicalistas na Colômbia" e pelo fato de o tratado "não incluir questões de proteção trabalhista".

Também durante a campanha, o presidente Uribe recebeu na Colômbia o senador John McCain, o que acabou sendo interpretado como um apoio ao candidato republicano.

"Neste momento, a política externa colombiana não pode depender tanto dos Estados Unidos. O presidente Uribe precisa abrir o leque de relações na América do Sul", diz o professor da UFRJ.

Ainda segundo Teixeira, o Brasil também tem interesse em se aproximar da Colômbia. "O governo brasileiro entendeu que é possível a Colômbia roubar da Argentina o posto de segunda maior economia da América do Sul e que não temos nenhuma relação específica com os colombianos", diz.

No ano passado, as exportações brasileiras para a Colômbia somaram US$ 2,29 bilhões, número inferior ao exportado para outros países latinos, como Argentina, Venezuela, Chile, México, Paraguai e Peru. Entre os principais produtos da pauta estão aviões e automóveis.

Já as importações de produtos colombianos são de menor valor: no ano passado, chegaram a US$ 829 milhões.

Mesmo sem o acordo de livre comércio, o principal parceiro comercial da Colômbia são os Estados Unidos, que respondem por 32% das exportações colombianas. Diversos itens de consumo e industriais produzidos na Colômbia podem entrar no mercado americano com tarifa de importação zero.

A professora Arlene Tickner, da Universidad de los Andes, diz que o Brasil "nunca foi prioridade para a Colômbia e vice-versa", mas é possível que agora o presidente Uribe esteja "em busca de novos sócios na região".

Lula e Uribe, segundo ela, têm em comum o alto índice de popularidade, "mas as comparações param aí". "Uribe é extremamente popular e carismático, mas seu estilo está mais para Chávez do que para Lula", diz Tickner.

Segundo ela, Uribe está desenvolvendo "um estilo autoritário, intolerante a opiniões contrárias". "Seu estilo é de um populismo de direita", diz.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG