BOGOTÁ - O presidente colombiano, Álvaro Uribe, acusou nesta terça-feira militares de vazarem vídeos sobre a operação na qual o Exército resgatou em 2 de julho 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que foram exibidos nesta segunda por um canal privado.

Em comunicado, Uribe se referiu aos soldados dos vídeos da Operação Xeque exibidos na segunda-feira no canal "RCN", que mostram a libertação dos 15 reféns das Farc, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e três americanos.

Uribe se refere, sem citar, a detalhes da operação não conhecidos em um primeiro momento, como o uso de logotipos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e admitiu que não foi informado da totalidade da operação.

"É grave que integrantes das Forças Armadas vazem notícias clandestinamente e sem coordenação com seus superiores. Além disso, é grave que nas primeiras investigações sobre a operação toda a verdade não tenha vindo à tona", declarou o presidente colombiano.

Uribe reiterou "a necessidade de permitir que todos os meios de comunicação tenham igual acesso às notícias mais importantes", em alusão às críticas pela entrega do material à emissora.


Vídeo mostra comemoração de reféns no helicóptero / AFP

No programa de uma hora e meia de duração são mostrados detalhes da Operação Xeque, desde uma simulação em um hangar militar do centro do país até a chegada dos ex-reféns a Bogotá, acompanhados pelo comandante do Exército, general Mario Montoya, um dos oficiais que dirigiram a missão.

No hangar da base aérea de Toleimada, a 120 quilômetros a sudoeste de Bogotá, dois helicópteros MI-17, de fabricação russa, foram pintados com cores similares às de organizações humanitárias.


Vídeo mostra a prisão dos guerrilheiros das Farc / AFP

Além de Betancourt, seqüestrada desde fevereiro de 2002, foram resgatados os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, mantidos reféns desde fevereiro de 2003, e 11 soldados do Exército e da Polícia colombianos, alguns deles com mais de dez anos nas mãos dos rebeldes.

Embora os comandantes militares tenham assegurado a Uribe que não foram usados distintivos de organizações reais, mas fictícias, nas imagens é possível observar um militar com um escudo do CICV e falsos jornalistas que se identificam como da rede de televisão "Telesur", com sede na Venezuela.

O vídeo mostra a instalação de escudos da hipotética ONG Missão Humanitária Internacional e o símbolo de proibição de uso de armas nos helicópteros, assim como a partida dos comandos militares de resgate rumo ao departamento do Guaviare (sul), onde aconteceu a operação.

Diante de rumores sobre a possível venda dos vídeos, a diretora de notícias da "RCN", Clara Elvira Ospina, declarou a emissoras locais que o programa exibido foi o resultado de um árduo trabalho de uma equipe de repórteres.

"Aqui não houve um negócio, houve um trabalho jornalístico", encerrou.

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