Urbanização da A.Latina perpetua desigualdades, com Brasil no topo da lista

Rio de Janeiro, 25 mar (EFE).- A América Latina se tornou a região mais urbanizada e desigual do mundo e suas cidades perpetuaram o modelo de desigualdade da época colonial, indicou um relatório divulgado hoje pela ONU-Habitat, durante o 5º Fórum Urbano Mundial da ONU, no Rio de Janeiro.

EFE |

Cerca de 80% da população latino-americana vive em cidades, o dobro que nos anos 50, e a pobreza não parou de crescer e já afeta 127 milhões de pessoas, 29% da população urbana, segundo o comunicado.

A diretora da ONU-Habitat para a América Latina, Cecilia Martínez, considerou que o processo de urbanização foi "positivo" na região, porque deu "oportunidades" ao povo e porque as condições de vida nas cidades são "melhores" que no campo.

"É uma questão de desenvolvimento econômico. As cidades deram alternativas de vida a muitas pessoas", afirmou a direção da ONU em entrevista coletiva.

Segundo o relatório, a pobreza é um problema muito mais grave nas cidades menores e nas áreas rurais, como no caso do Brasil, onde a miséria afeta 50,1% da população rural ou o do Peru (69,3%), Colômbia (50,5%) e México (40,1%).

Por outro lado, Martínez ressaltou que os benefícios do processo de urbanização foram "muito relativos" já que, no âmbito da cidade, se perpetuaram e acentuaram as desigualdades entre ricos e pobres.

O documento assinala que 20% dos mais ricos monopolizam 56,9% da riqueza, enquanto os 20% dos mais pobres recebem apenas 3,5% do bolo.

Esses dados confirmam à América Latina como a região mais desigual do mundo, com uma brecha mais ampla entre os mais ricos e os mais pobres.

O Brasil é o país menos igualitário da região, pois metade da riqueza nacional está nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os mais pobres ganham apenas 0,8%.

Em praticamente todos os países latino-americanos, 40% da riqueza ou mais pertence a um décimo da população e em todos eles, se registram piores taxas de distribuição de renda do que em regiões como o leste da Europa ou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Nas últimas duas décadas, o índice de Gini, que mede as desigualdades em uma escala de zero a um, melhorou na América Latina em uma média de apenas 0,03 pontos, passando de 0,55 em 1990 para 0,52 segundo os últimos dados disponíveis, de 2008.

O único país que registrou uma "notável" redução das desigualdades, segundo o documento, foi a Venezuela, que melhorou nove centésimos, registrando em 2008 um índice de 0,41.

A ONU alertou sobre vários problemas gerados pela rápida urbanização, como o aumento dos riscos pelas mudanças climáticas que se agravam nas áreas vulneráveis onde costumam se construir as precárias moradias.

"Parte da solução dos problemas climáticos pode servir também de ajuda para as questões urbanas", comentou a diretora da ONU.

O relatório também apresentou a necessidade de melhorar a administração de algumas grandes cidades, como São Paulo e Cidade do México, onde não existe uma autoridade que rivalize com os diferentes municípios de suas áreas metropolitanas.

"Isso gera problemas de governabilidade. Hoje mais do que nunca é importante pôr ênfase no local, descentralizar a tomada de decisões e trabalhar conjuntamente entre os diferentes níveis de Governo", comentou Martínez.

A ONU também chamou a atenção sobre outras questões, como o crescimento desordenado das periferias, a degradação dos centros urbanos e o déficit generalizado de casas nas cidades da região.

Todos esses fatores contribuem para a alta dos preços, que relega os pobres aos subúrbios e favelas. EFE mp/sa

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