Dublin, 4 fev (EFE).- O majoritário Partido Democrático Unionista (DUP) estuda hoje uma proposta de acordo com o Sinn Féin sobre o futuro do Governo autônomo da Irlanda do Norte, depois de os republicanos terem dado como concluídas as conversas.

Após dez dias de intensas negociações em Belfast, a questão está agora nas mãos dos unionistas, que estariam divididos entre uma maioria partidária de selar um acordo e uma "ala dura" que ainda desconfia do Sinn Féin, ex-braço político do inativo IRA.

"As negociações terminaram. Achamos que é uma conclusão positiva e achamos que existem as bases para seguir adiante", declarou hoje o parlamentar do Sinn Féin Gerry Kelly, que evitou comentar a posição do DUP.

Embora ainda não se saiba os termos da proposta, o acordo deveria fixar um calendário definitivo para a transferência de Londres a Belfast dos poderes de Justiça e Interior, um dos últimos pontos pendentes do processo de paz.

O texto também deveria abordar outros assuntos que dificultaram o avanço das conversas, como as exigências dos unionistas de abolir o organismo que supervisiona e modifica as rotas das polêmicas passeatas da Ordem de Orange (protestante) por certas áreas católicas.

Já o Sinn Féin quer avanços no reconhecimento da língua gaélica irlandesa como oficial, na cooperação entre os Parlamentos de Belfast e Dublin e em pontos das leis sobre igualdade e direitos.

A recusa do DUP em fixar uma data, primeiro, e a imposição de novas condições, depois, minaram o diálogo na província a ponto de os republicanos ameaçarem abandonar o Governo se não houver avanços.

Tal panorama agravaria a estagnação política e forçaria a convocação de eleições autônomas antecipadas.

Mas com o Sinn Féin satisfeito com o progresso alcançado, se espera agora que o líder do DUP, Peter Robinson, dê o próximo passo e se reúna com a bancada de seu partido para tomar uma decisão sobre a citada minuta.

Embora o DUP tenha insistido que não existem dissidências internas, o certo é que Robinson esbarrou na intransigência da facção mais conservadora do partido para aceitar um acordo, o que gerou dúvidas sobre sua capacidade de liderança.

No entanto, o atual clima de otimismo foi reforçado pela volta na quarta-feira de Robinson à chefia do Governo norte-irlandês. Ele abandonara o cargo temporariamente em 11 de janeiro por causa de um escândalo sexual e financeiro envolvendo sua mulher.

O ministro de Assuntos Exteriores da República da Irlanda, Micheal Martin, assegurou hoje que os partidos estão "muito perto" de conseguir um acordo.

Segundo o chefe da diplomacia irlandesa, que junto ao ministro britânico para a província, Shaun Woodward, presidiram as negociações, o DUP e o Sinn Féin darão "boas notícias muito em breve".

"Um acordo selado pelos líderes políticos da Irlanda do Norte e facilitado pelos (dois) Governos é também uma demonstração importante de que a Irlanda do Norte está aberta a fazer negócios", assinalou Martin.

As conversas também foram seguidas de perto pelo Governo dos Estados Unidos através da secretária de Estado, Hillary Clinton, e da enviada especial à Irlanda do Norte, Paula Dobriansky. EFE ja/rr

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